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Pilatos, aquele que entrou pra história como o que lavou as mãos, jogava pra plateia. Cínica plateia. Ele decidia as questões num lugar chamado pretório. Os líderes religiosos, repito, religiosos, que queriam a morte de Jesus não entraram no pretório, porque não queriam se “contaminar” naquele lugar profano. CÍNICOS.

Tendo convicção que Jesus era inocente, Pilatos manda-o pra outra jurisdição, a de Herodes, que também se nega a condena-lo à morte e o devolve para Pilatos. Sofrendo pressão, tenta transferir a responsabilidade para a multidão quando oferece Barrabás. Mas eles insistem em pedir a morte de Jesus e a soltura do assassino.

Então Pilatos lava as mãos e entrega um inocente à sanha de uma multidão com sangue nos olhos.

Mas quem tinha autoridade para mandar matar era somente Pilatos. Sendo o representante do império romano na Palestina, só ele tinha tais poderes. Ele é quem assina a sentença de morte de Jesus. Se quisesse poderia ter evitado essa injustiça.

Não evitando essa maldade, podendo fazê-lo, tornou-se responsável por ela, co-autor de uma perversidade.

Quais são as maldades e injustiças que podemos evitar e não fazemos? Quantas vezes lavamos as mãos e uma maldade se concretiza, quando poderíamos tê-la evitado?

Grandes e pequenas maldades. Sempre pensamos nas grandes, nas guerras, nas tremendas injustiças. Mas há aquelas menores, aqueles “pequenos” conflitos, aquelas inimizades geradas por uma fofoca, uma maledicência, uma perversidade destilada à boca pequena. Quando isso chega a você e você pode evitar um mal maior, o que você faz? Intervém e põe fim a isso, ou propaga, ou simplesmente se omite e não sai em defesa da verdade?

Silenciar diante de uma injustiça, é ser injusto também. Omitir-se diante de uma maldade, é ser perverso também.

Pilatos lavou as mãos porque não queria arriscar sua posição na província. Estava confortavelmente assentado na cadeira de governador. Mesmo convencido de que Jesus era inocente, não o absolve, não o livra da morte injusta. Isso implicaria em uma rebelião porque estavam ameaçando-o de dizerem pra César que ele, Pilatos, também era contra César, já que estava “apoiando” alguém que se dizia rei. Assim, ele não enfrenta o mal, porque não queria correr riscos, não queria abrir mão do conforto.

A mesma coisa conosco. Não quer correr riscos, não enfrente a maldade. Mas assim será responsável por ela. A indiferença é igual ao cometimento da maldade, se posso agir para evita-la.

Quando Rosa Parks foi presa por se recusar a ceder o lugar para um homem branco no ônibus, o reverendo Martin Luther King Jr, poderia ter continuado em sua congregação dizendo que não poderiam enfrentar as autoridades, afinal, toda autoridade foi constituída por Deus. Continuaria pastoreando e talvez estivesse vivo até hoje, bem velhinho, pregando em sua igreja. Morreria bem confortável com os filhos ao redor, numa cama quentinha.

Mas ele enfrentou o mal, aquilo era uma tremenda injustiça. Ficou ao lado da velha empregada doméstica e contra a injustiça. Foi assassinado, mas não foi conivente com a maldade e com a injustiça. E os Estados Unidos nunca mais foram os mesmos.

Mas quem está disposto?

Márcio Rosa da Silva

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Algumas palavras sobre mim.

Professor de Direito na UFRR - Universidade Federal de Roraima.
Promotor de Justiça no MPRR - Ministério Público de Roraima.
Cristão que se pretende progressista.
Casado com a Clarissa, luz dos meus dias.
Um aprendiz.

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