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garoto

O garoto de 16 anos interrompe a vida e os sonhos do homem de meia idade que se recusou a lhe entregar o celular.

Antes disso, a vida daquele garoto já tinha sido interrompida pela omissão da sociedade, pela ausência de sua família e pelas garras do tráfico de drogas.

Distantes das ruas sujas e das bocas imundas que alimentam seus negócios, os barões do tráfico são considerados dignos senhores da sociedade, com cargos políticos, menções em colunas sociais e até espaço em púlpitos de igrejas. Cinicamente, enriquecem com o mercado de armas e drogas, negócio que não conhece crise, seja qual for o governo.

O garoto que puxa o gatilho é apenas uma peça na engrenagem azeitada com impunidade e hipocrisia. O pai de família que perde a vida é um efeito colateral da violência que enriquece poucos e destrói a muitos.

Os sonhos do garoto foram roubados, tem nada a perder, matar ou morrer dá na mesma. Não tem horizontes. Foi criado num ambiente em que a violência é normal, apanhou desde criança, viu a mãe apanhar, viu o pai morrer a facadas, enterrou o irmão que morreu no trânsito. Tem nada a perder. Quer apenas mais uma pedra pra fugir da realidade. Só mais uma dose pra fingir-se em outro mundo. Tem nada a perder, matar ou morrer dá na mesma.

Quem roubou os sonhos daquele garoto tem as mãos sujas de sangue. O sangue dele, de sua família e de suas vítimas clamam contra os poderosos que desviaram o dinheiro da educação e da segurança; o sangue deles clama contra uma sociedade omissa, desigual, excludente e opressora; o sangue deles clama contra gente como eu e você, egoístas, preconceituosos e indiferentes.

Quem roubou os sonhos daquele garoto? Eu e você! Nós somos os ladrões de sonhos!

Márcio Rosa da Silva

(Texto que li no musical Guerra e Paz, apresentado na Igreja Betesda de Roraima em 01/11/2014)

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Algumas palavras sobre mim.

Professor de Direito na UFRR - Universidade Federal de Roraima.
Promotor de Justiça no MPRR - Ministério Público de Roraima.
Cristão que se pretende progressista.
Casado com a Clarissa, luz dos meus dias.
Um aprendiz.

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