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Como pode um esporte mexer tanto com uma nação? E como pode uma nação depender tanto de um esporte pra sentir-se nação?
Por que o nosso patriotismo aflora somente em época de Copa do Mundo da FIFA (sim, a copa é dela)?
É hora de assimilar que a seleção não é do Brasil, mas da CBF, uma instituição pouco transparente e altamente comprometida com interesses comerciais.
É hora de tentarmos percebermo-nos nação por outros motivos. E eles existem!
É hora também de reformular a própria estrutura do futebol e de tantos outros esportes no Brasil.
Apenas força de vontade, garra e orações não são suficientes para bons resultados. É preciso investimento sistemático, campeonatos nacionais atrativos e muito, mas muito, treinamento e trabalho.
Outra coisa, não precisamos ter a fleuma germânica, mas a instabilidade emocional dos jogadores foi além da conta. E esse foi um dos elementos determinantes. Se não, como explicar quatro gols tomados em apenas seis minutos?
É como é comum em nossa cultura, quando algo dá errado, em vez de procurarmos consertar, procuramos alguém em quem colocar a culpa, a culpa não é da Dilma ou do PT, que, como ficou evidente, não “compraram” o resultado da Copa.
Aqueles que puderam comprar os caros ingressos pra assistir os jogos serão os primeiros a se revoltar, porque, afinal, “estão pagando”, e esperavam espetáculo. Mas triste mesmo será para os mais pobres, os que já não têm tanto do que se gabar, os que já não têm tantos motivos pra se alegrar. Ficaram também sem a Copa.
E como se dizia que não se podia politizar o sucesso da seleção, também não se pode politizar seu fracasso. Mas claro que isso é esperar demais dos honrados políticos brasileiros.
Mas o show precisa continuar e a vida vai muito além do retângulo de um campo de futebol.
Na arena da vida é preciso ser forte, assimilar as derrotas e nunca desistir. Então, bola pra frente, Brasil.

Ficaram todos atordoados. Ninguém esperava os últimos acontecimentos. Os políticos pensaram que o povo não apoiaria e deram declarações contrárias. Após pesquisas de opinião revelarem a simpatia da maioria, foram obrigados a voltar atrás. Os órgãos de imprensa que estavam mostrando tudo como uma grande baderna, tiveram que dar informações mais precisas e separar as manifestações pacíficas da ação criminosa de vândalos. Âncoras e comentaristas tiveram que rever muito rapidamente seus posicionamentos.

Mas acredito mesmo que até essa moçada que saiu às ruas ficou surpresa. Talvez não soubessem que o país inteiro se envolveria. Depois de tanto tempo embotados pela desesperança e pelo conformismo, tinham desistido de protestar, afinal “nada vai mudar mesmo…”. Finalmente saíram do Twitter e do Facebook e foram pra rua. E já há resultado, o objetivo inicial, que era a redução da passagem em São Paulo, já foi atingido.

Mas não era só pelos 20 centavos. Havia um grito preso na garganta de muita gente, uma angústia contida, uma indignação incubada. Tudo isso transbordou e tomou as ruas. Motivos para tanto não faltam.

Não é aceitável que se gaste 28 bilhões de reais com um torneio de futebol, para manter o padrão Fifa, e ter gente amontoada em corredores de hospital em condições subumanas. Não é aceitável que se alegue falta de recursos para gaze, soro, luvas e seringas em hospitais, quando se gasta uma fábula com algo desnecessário. Não é aceitável que ainda tenhamos uma educação com professores desvalorizados e cuja tecnologia se resuma a giz e quadro negro, quando há bilhões de dinheiro público sendo despejados em arenas que serão administradas pela iniciativa privada.

Como se não bastasse, o cinismo de parte da classe política que, sem pudor, tudo faz como se não houvesse a quem prestar contas. Políticos que se recusam a fazer as reformas estruturais absolutamente necessárias, como a política e a fiscal. Quando há algum movimento mais visível é para tentar impedir os direitos de minorias ou retirar o poder de investigação do Ministério Público, como é o caso da PEC 37. Não dá!

Estamos sendo massacrados com uma carga tributária altíssima, que tunga quase metade de tudo o que se produz, um custo de vida elevado, serviços públicos não condizentes com o que se arrecada, violência, além do câncer da  corrupção.

O grito que se houve, a marcha que se faz, a caminhada que se vê, é por tudo isso. E mesmo que se diga que é um movimento difuso, descoordenado e que não haverá mudanças concretas, a maior mudança já ocorreu, saiu-se do imobilismo e da letargia.

Para que o caos não se instale, cabe à classe política perceber que as coisas mudaram, que os detentores de mandatos revejam suas práticas. Terão de dialogar e assumir liderança com propostas que sejam condizentes com esses novos tempos e que contemplem as reais necessidades do povo, que se vê novamente com o poder nas mãos.

Vivemos um momento importante de transformação, que os líderes políticos e as instituições compreendam isso e tenham a sensibilidade para ouvir a voz das ruas.

Márcio Rosa da Silva

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Algumas palavras sobre mim.

Professor de Direito na UFRR - Universidade Federal de Roraima.
Promotor de Justiça no MPRR - Ministério Público de Roraima.
Cristão que se pretende progressista.
Casado com a Clarissa, luz dos meus dias.
Um aprendiz.

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