Qual é o limite da maldade humana? Será que já vimos todo o mal que o ser humano é capaz de fazer? Se as pessoas são capazes de fazer coisas terríveis, ainda é possível acreditar nelas? Será que haverá um tempo em que todos viverão sob justiça e paz, numa grande fraternidade?

Pois é. Jesus foi prova do nível a que pode chegar a maldade humana. Mataram-no da maneira mais dolorosa e vergonhosa da época. E aquilo foi apenas uma amostra do que já acontecia e do que continuaria acontecendo. A maldade sempre esteve presente nas relações humanas, desde que o mundo é mundo. Campos de concentração, explorações de toda ordem, desamor, abandonos, assassinatos, guerras.

Mas ele também foi a prova de que, mesmo assim, é possível apostar no ser humano, tanto que entregou sua vida, amou até às últimas consequências. Achou que valia a pena.

É necessário apostar no humano, porque, apesar de toda maldade que conhecemos ser humana, toda bondade também é. Tudo o que vemos de maldade e bondade, são práticas humanas.

Há teologias que afirmam que o ser humano é mal e não há nada de bom nele. Não posso concordar. Claro que há coisas boas no humano. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Por mais que essa imagem esteja enfraquecida, ela está lá.

Temos a capacidade de fazer o mal, mas também o bem. E há tanto bem sendo feito por aí, ainda que de maneira anônima. Há pessoas adotando crianças que foram abandonadas porque tinham paralisia mental. Há médicos que realmente se doam em lugares inóspitos, para salvar vidas. Há missionários pregando onde nenhum televangelista quer ir. Há palhaços alegrando a dolorosa vida de crianças doentes nos hospitais. Há gente levando café da manhã para pessoas muito pobres e desprovidas de qualquer conforto. Há gente lutando contra a prostituição e o trabalho infantis.

É necessário apostar no ser humano, porque todas nossas maiores alegrias provém de pessoas. Muito embora nossas mais agudas tristezas também.

É verdadeira a afirmação de que o inferno são os outros. Nossas maiores tristezas vem de algo relacionado a outras pessoas. E muitas pessoas são impiedosas, julgam, maldizem, ferem, magoam, traem, praticam o mal mesmo. Sem dó nem piedade. Um inferno.

Mas também o paraíso são os outros. Nossas maiores alegrias são provenientes dos outros. Precisamos dos outros, que são nossas referências. É através dos outros que descobrimos nosso significado. Aprendemos que significamos algo para alguém quando somos amados, por exemplo. Você significa muito para quem ama você. E isso te leva ao paraíso. Amar e ser amado é experimentar o céu.

Se as pessoas mais próximas são as que podem nos ferir da maneira mais dolorosa, também são elas que podem nos alegrar da maneira mais intensa. O abraço de um filho, um beijo apaixonado, o carinho do pai, o colo da mãe. Tudo vindo de pessoas.

É necessário apostar no humano, porque se a maldade parece não ter limites e nos faz, tantas vezes descrer nas pessoas, toda a bondade que podemos ver e experimentar são ações humanas, o que nos chama a continuar crendo no próximo.

 

Márcio Rosa da Silva

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