alianças

Como muitos, sou daqueles que gosta de esportes em ambientes abertos. Mountain bike, caiaque, trekking, escalada, kite surf, espeleologia são todas experiências esportivas que já coloquei em prática e que me agradaram. Recentemente conheci o slackline e também me pareceu divertido. De todas, porém, a modalidade que me pareceu mais interessante foi o rapel. Para os que não sabem, é aquele esporte em que o praticante faz uma descida vertical de um obstáculo normalmente muito alto (uma cachoeira, uma ponte, um prédio ou algo assim) com o uso de uma corda presa à cintura. Trata-se de um esporte de risco; portanto, os equipamentos de segurança são importantíssimos. Um dos equipamentos mais importantes, neste caso, é o “oito”. Um objeto metálico em forma de número oito, dentro do qual a corda de sustentação corre, permitindo que o praticando deslize para baixo. Todo o peso do praticante é sustentado pelo oito; então, dá para imaginar o que aconteceria se essa peça metálica quebrasse durante a descida.

Pergunta-se, então: isso pode acontecer? Resposta: não só “pode” como “já” aconteceu. Quando conheci o esporte há anos atrás, Um dos meus instrutores, um grande amigo que é oficial do corpo de bombeiros, alertou-me sobre uma armadilha fatal do esporte: o desleixo com o equipamento. Segundo ele, o “oito”, que é uma peça de durabilidade indeterminada, pode sofrer fissuras internas se jogado desleixadamente ao chão. Essas fissuras não são visíveis externamente mas estão lá, perigosamente instaladas no interior da peça. Quando o praticante usá-la da próxima vez em que for descer de uma cachoeira de 20 ou 30 metros…

Assim é também o casamento desfeito. É como um “oito” que se rompe, jogando os praticantes cachoeira abaixo. São atos repetidos de descuido que levam à queda repentina.

Um rompimento, portanto, não é algo que ocorre de uma hora para outra. É um processo em que se manifesta aquilo que já chamei um dia de “atos de divórcio”. Assim como um casamento é uma casa que se constrói tijolo a tijolo, o divórcio é uma prática que arranca, de baixo para cima, tijolo após tijolo da construção até então feita. Quando alguém pratica atos que descumprem tudo aquilo que prometeu quando se casou, esse alguém pratica “atos de divórcio”.

Sem falsas pretensões, creio que todos sejamos suscetíveis de praticar tais atos, mas, como elementos de  um “processo”, há chance de revertê-los. Recolocar o tijolo, zelar do “oito”, cumprir os votos. Mas… Quando falta até a vontade de fazê-lo? Cada um certamente terá sua resposta, eu, porém, tenho somente uma dica, vinda da Bíblia: pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis; todo o que pede recebe, todo o que procura encontra. Ore, pedindo a Deus para alimentar o seu querer.

Adriano Ávila Pereira

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