Uma das palavras de Jesus para seus amigos, quando falava sobre as intempéries da vida, foi sobre perseverança. Mesmo havendo muitos motivos para desistir: “É perseverando que vocês obterão a vida”.

Na vida, quantas são as guerras e os rumores de guerra? Quantas são as batalhas? Quantos são os ódios e traições que se tem de enfrentar? Quantos são os momentos em que parece não ficar pedra sobre pedra e há a vontade de fugir para as colinas? Como diz a conhecida canção: “Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz?”.

E aí, no meio desse caos que parece ser a vida, ante tantos perigos que rondam, na trágica realidade que pode ser a existência, Jesus diz: “É perseverando que vocês obterão vida”.

Com isso parece ser mais importante como as coisas terminam e não como começam. Para começar algo não é necessário ter perseverança, mas para terminar, sim. Por isso é melhor o fim do que o começo. Para terminar bem é preciso constância.

Veja um casamento. Como é bonito ver o começo de um casamento, a cerimônia, a festa, a paixão, o amor, os planos, os sonhos. E como é triste ver o fim de um casamento, numa sala de audiência no fórum, com casais brigando pela quantidade de colheres na partilha ou sobre quem ficará com a botija de gás.

Melhor é o fim das coisas do que o começo delas, porque é como terminam que importa. Como vai acabar esse casamento é o que importa. Terminarão ainda como dois amantes, cúmplices, amigos, parceiros, duas pessoas que se querem bem e querem estar juntas sempre, ou terminarão como dois inimigos?

Mas um casamento requer trabalho, constância, compromisso, fidelidade, respeito, cumplicidade e muito, muito amor! Evidentemente, é preciso começar bem para terminar bem, mas o que começa bem pode terminar muito mal.

Para qualquer empreendimento dar certo é preciso muita vontade de que isso aconteça. Quantas amizades se desfazem por besteira, ou por falta de vontade de se empenhar na amizade. Muitos querem ter amigos, mas não querem ser amigos quando os amigos precisam. Trocam de amigos o tempo todo, ou seja, não tem amigos verdadeiros.

Caminhar com Cristo, manter-se abraçado ao Evangelho de Cristo, cujos valores vão na contra mão do que impera no mundo contemporâneo, é trabalhoso. Quando se usam as pessoas e elas são descartadas com tanta facilidade, amar o próximo como a si mesmo não é fácil, exige perseverança. Mas são os perseverantes que herdarão a vida! Valorizar mais as pessoas e os afetos do que as coisas não é fácil, mas os perseverantes herdarão a vida!

É preciso também perseverar nos recomeços. Quantas vezes somos claudicantes, quantas vezes tropeçamos, quantas vezes desistimos mesmo. Isso é humano!

Por mais desastroso que tenha sido o final de alguma coisa na sua vida, um recomeço sempre é possível. Porque não recomeçar é desistir para sempre. E isso é a morte. A vida só os perseverantes vão obter. Recomeçar é perseverar com sua fé na vida. Persevere, pois.

Márcio Rosa da Silva

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