Inferno – Cúpula da Basílica Santa Maria del Fiore – Florença – Duomo di Firenze

Em uma conversa entre amigos, Jesus alertou para tomarem cuidado com aqueles que, além de matar o corpo ainda podem jogar a pessoa no inferno. A palavra traduzida por “inferno”, na língua original, o grego, em boa parte das vezes, é Geena, que designava um lugar que ficava fora das muralhas de Jerusalém. Um vale usado como depósito de lixo. Além de lixo, ali eram lançados os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e qualquer outra espécie de imundície.

Era, portanto, um depósito de lixo. Por isso também Jesus diz que ali o fogo não apaga e o bicho não morre. Sempre haveria cadáveres sendo devorados por vermes, e sempre haveria fogo naquele monturo. Era um lixão.

Jesus nos alerta para que tomemos o máximo de cuidado com aqueles que podem nos levar para um lixão existencial, para um verdadeiro inferno.

E o que pode nos levar para esse inferno? Qualquer coisa na vida que não seja utilizada com equilíbrio. O dinheiro, por exemplo, pode ser uma benção, mas se você sacrifica seus valores para ganhá-lo, ou se deixa dominar por ele, estará se lançando num inferno. Mesmo a religião, que pode fazer muito bem à pessoa, se descamba para o fanatismo joga o indivíduo num inferno. Até o amor, que é sempre bom e maravilhoso, se virar uma paixão obsessiva, torna-se uma doença e, daí, em vez de bem, fará muito mal.

Vive um inferno, também, quem se deixa dominar pelo seu lado sombrio e se entrega à maldade. Todos somos feitos de luzes e sombras. Nunca seremos complemente luz ou completamente sombra. O problema, ou melhor, o inferno, é quando você se deixa dominar pelas vícios muito próprios da natureza humana. Coisas como mentira, hipocrisia, maledicência, maldade, crueldade, soberba, falsidade, ganância, quando predominam na vida de alguém, lançam-na, invariavelmente num inferno, no Geena, no lixão da existência.

Além de tudo isso, há aqueles momentos em que se permite que pessoas más transformem sua vida num inferno. Foi Sartre quem disse que “o inferno são os outros”. Isso é uma meia verdade, porque o inferno pode ser você mesmo. Mas, sim, algumas pessoas tem o poder de transformar a vida de outras num inferno. Por exemplo, num elevadíssimo grau, Adolph Hitler transformou a vida de milhões de pessoas num inferno.

Mudando para o nosso contexto, sempre existe um pequeno Hitler rondando. Sempre há alguém que tem prazer em ver o mal, em provocar o mal e ver o outro sofrendo.

O que fazer? Se você puder se livrar dessa pessoa, ou seja, se você puder evitar que essa pessoa esteja dentro do círculo daqueles que de alguma forma influenciam sua vida, então faça isso. Mantenha uma distância de segurança.

Entretanto, nem sempre isso é possível. Então o ideal é não se deixar afetar com provocações, ações ou palavras de tal pessoa. E quando o que tal pessoa fizer te afetar direta e concretamente, é necessário ter a serenidade pra enfrentar e não responder com a mesma moeda, mas tentar vencer o mal com o bem, que é a resposta esperada de qualquer cristão.

Quanto àqueles que fazem da vida dos outros um inferno, o que resta a eles, caso não se arrependam, é o lixão existencial, um verdadeiro inferno, a escória. Tenhamos muito cuidado com estas pessoas e muito mais cuidado ainda para não nos transformarmos em tais pessoas.

Márcio Rosa da Silva

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