É assustador acompanhar a escalada da violência contra crianças, sobretudo a violência sexual. É inaceitável que um adulto submeta uma criança a tal brutalidade. As conseqüências para a vítima são difíceis de dimensionar. Marcas no corpo e na alma serão indeléveis.
O mundo adulto precisa compreender que crianças não são objetos, não são seres a serem manipulados, mas sujeitos portadores de todos os direitos humanos fundamentais. Também é necessário haver o compromisso de proteger crianças de qualquer forma de violência, seja verbal, psicológica, física ou sexual.
As famílias, em suas múltiplas formas, devem estar impregnadas desse valor: a proteção integral de crianças e adolescentes. Os dias são difíceis, as famílias têm dificuldades de toda ordem, muitas mães criam seus filhos sozinhas por conta da irresponsabilidade dos pais, homens que não honram as calças que vestem e não assumem seus filhos. Mesmo assim, deve haver um esforço por parte das famílias em favor da proteção de suas crianças.
A sociedade deve estar vigilante quanto a esse assunto, através de todas suas organizações, comunidades, igrejas, associações, universidades, grupos informais de pessoas interessadas, etc. E o poder público precisa tratar dessas questões com a devida prioridade absoluta, que, infelizmente, ainda não é uma realidade, apesar de ser um mandamento constitucional.
Abusadores sexuais devem ser processados, julgados e punidos com rigor. Essa é a resposta que um Estado democrático de direito deve dar a esses criminosos.
Por outro lado, é também inaceitável que se celebre a execução de alguém acusado desse tipo de crime. Tratar um criminoso com brutalidade é igualar-se a ele. Não é a resposta que uma sociedade civilizada deve dar. Não é razoável aplaudir esse tipo de ação criminosa. Não se pode responder a violência com mais violência, pois isso só gera o incremento da barbárie. Punição exemplar sim, mas depois do devido processo legal.
A indignação contra a violência praticada contra uma criança deve redundar na cobrança pela melhoria de toda a estrutura de proteção à criança, por políticas públicas de fortalecimento das famílias e pela efetiva punição do agressor após justo processo. A regra do olho por olho, dente por dente, nos faria a todos criminosos, pois revidaríamos os crimes com outros crimes.
A civilização contemporânea deve ser capaz de dar uma resposta melhor para esses casos.
 
Márcio Rosa da Silva

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