Quando já estava próximo do momento em que enfrentaria a cruz, Jesus disse aos seus discípulos que quem nele cresse faria obras semelhantes às que ele tinha realizado, e ainda faria coisas maiores. Não há como ler esse texto e não ficar se perguntando como isso seria possível. Jesus transformou água em vinho, multiplicou pão e peixe e alimentou cinco mil pessoas de uma vez, ressuscitou um amigo, curou cegos, leprosos e paralíticos e morreu por amor. Então como se poderia fazer algo maior?

Tenho a impressão que existem possibilidades de isso acontecer, mas não estamos dando conta do recado. Apenas para exemplificar, cito quatro cristãos que julgo terem sido relevantes em seu tempo:

Oskar Schindler, luterano, filiado ao partido nazista, quis faturar na guerra com suas empresas, mas acabou salvando mais de mil e duzentas pessoas da morte certa. Milhares de descendentes são até hoje alcançadas por aquela ação. Ele trocou seu dinheiro por vidas. Subornou os guardas nazistas para poupar pessoas. Deu valor ao que tem mais valor e arriscou a própria pele diante de um sistema perverso.

Agnes Gonxha Bojaxhiu, mais conhecida como Madre Teresa de Calcutá, matou a fome de multidões multiplicando pães através de suas campanhas de donativos. Através de suas obras muitos leprosos receberam o toque humano no fim de seus dias, recebendo também dignidade, afeto. Muitos moribundos tiveram um fim menos terrível por conta de suas ações. Admirável. Foi premiada com o Nobel da Paz.

Giovanni di Pietro di Bernardone, conhecido como Francisco de Assis, renunciou a tudo para imitar Cristo à risca, adotando como estilo de vida a humanidade de Cristo, o Cristo humano. É tido por muitos como a maior personalidade do cristianismo depois do próprio Cristo.

Martin Luther King Jr, pastor protestante, também Nobel da Paz, mudou milhões de vidas a partir de sua luta. Quantas barreiras foram derrubadas por conta de sua crença e de sua disposição, quantos milhões de pessoas que receberam mais respeito, mais dignidade e melhores condições de vida por conta de seu sonho. Ele encarnou a verdade de que para Deus não há homem ou mulher, rico ou pobre, branco ou negro, crente ou incrédulo, mas todos são igualmente amados por Deus, e devem ser igualmente respeitados. Com essa crença enfrentou o governo do país mais poderoso do mundo. E venceu.

Gente desse tipo faz falta no meio religioso atual, tão marcado por indivíduos que buscam apenas a própria satisfação, como se Deus fosse um ídolo disponível para nos dar as coisas e satisfazer nossas vontades.

Falta-nos a fé de um Francisco de Assis, que se dispõe a apostar todas as suas fichas em Cristo e viver como Ele. Falta-nos a coragem de um Schindler que arriscou sua vida ou a de um Luther King que enfrentou o governo mais poderoso da terra. Falta-nos o compromisso de uma Teresa de Calcutá, compromisso com Deus e com o próximo. Só há compromisso com Deus e com Cristo se há compromisso com o próximo. Caso contrário, é vã a nossa religião.

Podemos ser relevantes. Temos infinitas possibilidades de fazermos obras semelhantes às de Cristo no mundo contemporâneo, basta ter sensibilidade para perceber e fé o bastante para colocar-se à disposição. Há um novo mundo possível, é preciso colocar mãos à obra!

Márcio Rosa da Silva

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