Era uma reunião comum, porém com certa formalidade. Apenas os homens estavam na sala, entre eles Jesus, Simão, o leproso, e Lázaro, o que havia sido ressuscitado. Eles eram servidos por Marta, pessoa conhecida por sua diligência quanto aos deveres domésticos. As mulheres não podiam sentar-se à mesa com os homens, elas não eram dignas disso, pelo menos era o que se achava. Abruptamente entra uma mulher na sala, não vem carregando uma bandeja com quitutes ou bebida, mas um vaso feito de um material precioso. Dentro do vaso há um perfume caríssimo, coisa que qualquer trabalhador demoraria um ano pra comprar. Ela quebra o vaso e derrama todo o perfume nos pés de Jesus, depois enxuga com os cabelos.

Os convivas logo reprovam a atitude da mulher. Ela quebrou as regras que impedem as mulheres de participarem das reuniões masculinas. Também, segundo os homens da sala, cometeu um grande desperdício, porque aquele perfume poderia se vendido e o dinheiro dado aos pobres. Maria, esse era o nome dela, Maria de Betânia, ainda de cócoras, é achincalhada pelos comensais, sente-se ainda mais indigna.

Jesus, que sempre toma o partido dos fracos, ele mesmo assumiu a fragilidade humana para si, acolheu Maria e a elogiou. O discípulo que a repreendeu parecia ético e preocupado com os pobres, mas era mentira, ele queria mesmo era posar de bom moço usando como pedestal a frágil mulher. Mas aquele que consegue discernir as intenções do coração o repreendeu e resgatou a dignidade da mulher. A intenção dela era pura e sua ação também era correta. Ela quis cuidar de Jesus, que estava prestes a sofrer sua paixão. Maria expressou o amor a Jesus através do seu cuidado. Grata que era por ser amada pelo Senhor, quis cuidar dele num momento crucial.

Conheço muita gente que diz ser grata a Jesus e que o ama. Pois bem, há infinitas oportunidades de expressar esse amor. Há muitos cristos por aí para que derramemos nossos cuidados aos seus pés. São os que têm fome, os que estão doentes, os que estão presos, os marginalizados. São também aquelas pessoas que precisam de uma ajuda para conseguir uma profissionalização, uma orientação jurídica, uma consulta médica. São aqueles que precisam de um momento de descontração no meio de uma implacável vida de pobreza. São crianças que estão num abrigo ou aquelas que, mesmo em suas famílias, aguardam o Papai Noel no dia 25 de dezembro, e ele insiste em não aparecer.

Jesus disse que o que fizermos a um desses seus menores irmãos, a ele o fazemos. Se amamos a Cristo, está na hora de expressar nosso amor através do cuidado, enxergando Sua face na face do oprimido, do marginalizado, do pobre e do necessitado. Por outro lado, se desprezarmos aqueles que precisam e a quem podemos ajudar, não é só a eles que desprezamos, mas também ao próprio Cristo e mentimos quando dizemos que amamos a Deus.

Márcio Rosa da Silva

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