Márcio Rosa da Silva

Um grupo de 24 pessoas da comunidade cristã a que pertenço formou uma equipe para correr a “9 de julho”. Chegar a esse número não foi muito fácil. Tentei estimular ao máximo as pessoas para que começassem a correr e treinar para, então, participar da corrida. Mesmo assim o número de participantes foi modesto. Modesto, mas significativo, porque essas pessoas aceitaram um desafio que, para muitos, parece impossível: completar uma corrida de rua de 5 ou 10 quilômetros.

Para quem nunca correu, claro, é impossível mesmo. Há três anos quando corri meus primeiros 2 quilômetros pensei que jamais chegaria a 5. Mas, com persistência, cheguei aos 5, aos 10, 15 e hoje já chego aos 25 km sonhando com a glória da maratona, 42 km e 195 metros. Tudo é uma questão de persistência, constância, disciplina.

Correr requer o rompimento com a preguiça, a convivência com a dor, a superação do cansaço, o desejo de chegar ao fim, de completar o percurso. São virtudes. Por isso que sempre reverencio um corredor fundista, porque sei quantas virtudes são necessárias para a prática desse esporte. Além de tudo é um esporte solitário, em que o corredor depende dele mesmo. É preciso preparo físico e muita disciplina mental.

Também não adianta sair correndo afobado, embalado pelos profissionais que tem mais que o dobro da velocidade de um amador. É preciso descobrir o seu ritmo, correr na sua própria cadência para poder chegar bem. Não adianta sair em alta velocidade e parar no meio do caminho. O importante é chegar.

Por isso fico tão feliz de poder ter estimulado essa modesta equipe a participar, a correr. Mas aí fiquei pensando que meu maior desafio, como pastor, é estimular as pessoas na corrida da vida, que requer as mesmas virtudes de uma corrida de rua. Não foi à toa que o apóstolo Paulo comparou, por algumas vezes, a vida a uma corrida. Ele falou que deveríamos correr de modo que alcançássemos o prêmio da nossa vocação, do nosso chamado, que é Cristo. Ora, para correr de modo a alcançar, é necessário persistência, constância, disciplina e muita vontade de chegar ao fim. Assim na corrida de rua, como na vida.

Não são poucas as pessoas que no meio do caminho querem desistir, se cansam, querem jogar a toalha. Mas, como diz a canção, “é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre”. Quem consegue correr sem isso? Quem consegue viver sem isso? Milton Nascimento está certo. Mas o poeta prossegue falando de sua Maria, dizendo que além de força, raça e gana, “é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre”. O corredor também é um sonhador, que sonha com a chegada, com a medalha, com a superação de seus limites. E só vive bem quem é um sonhador. Viver sem sonhar é não viver.

É, acho que aprendi a viver melhor quando comecei a correr. Como na corrida de rua, como na “9 de julho”, espero chegar ao fim da vida e poder dizer como o apóstolo Paulo: “combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”.

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