Seria Deus um condenador? Seria Deus uma divindade que sente prazer em trazer seus filhos junto a si pelo medo da condenação? Quantas pessoas já encontrei que disseram estar longe da igreja ou do evangelho porque não suportaram a imposição de comportamentos religiosos com base na coerção, na ameaça, no medo. Vítimas de palavras como: “Deus vai te castigar”! “Deus vai cobrar de você”! “Deus está vendo tudo, cuidado com Ele”! “Deus vai pesar a mão sobre você”! (essa é a pior, porque isso nos esmagaria totalmente).

Há uma geração de crentes que foram criados numa cultura de medo, ouvindo na Escola Dominical “cuidado mãozinha o que pega, cuidado olhinho o que vê, cuidado pezinho onde pisa, o nosso Pai do céu está olhando pra você, cuidado mãozinha o que pega”. Imagine o terror imposto a uma criança de cinco anos, ouvindo isso.

Então criamos, no nosso imaginário, esse Deus que gosta mesmo é de impor o medo. De ameaçar sempre com um inferno dantesco. Um inferno que é um rio caudaloso de lava vulcânica, um horror de gritos horripilantes, um suplício indizível. O Deus que forjamos em nossa mente é esse que está sempre apontando para a porta desse inferno e dizendo: “Cuidado! Olha o que te espera”!

Fico tentando encontrar esse Deus que impõe o medo dessa forma na pessoa de Jesus e não o encontro. Encontro um Deus amoroso ao extremo. Firme, enérgico e até irado, mas cuja principal missão é salvar, não condenar. Seu desejo é aproximar pelo amor e não pelo medo. Li outro dia uma frase com a qual concordo: “Um Deus que se alimenta dos meus medos, não me serve”.

Deus não é um condenador. O mundo é que é. O mundo trata seus habitantes de mundo implacável. Sempre. Não há misericórdia no sistema contemporâneo. Deixe de pagar uma conta por exemplo. Todos os meios serão utilizados para que pague até o último centavo. Não há misericórdia, compaixão ou graça.

Deus não é um condenador. A religião é que é. Sempre fustigando as pessoas pelo medo. Um jeito fácil de conseguir manipular as massas.

Deus não é um condenador. Você é que é. Quando se condena a viver uma vida sem crer na graça e sem vivenciar um amor incondicional, gratuito e que não exige desempenho.

Deus é um salvador. Jesus veio para salvar e não para condenar. No dizer de John Stott, “o crucificado é o Deus por mim”, porque me dá a certeza de que não estou só nesse mundo de dores. Porque num mundo egoísta, ele é a prova de que existe amor altruísta levado às últimas conseqüências, sou amado de graça. É, também, a prova de que a vida prevalecerá afinal, porque após três dias na sepultura a vida ressurgiu e prevaleceu sobre a morte. Sim, Deus é um salvador.

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