Márcio Rosa da Silva 

Começa o mês de celebração da Consciência Negra, cujo dia é 20 de novembro em memória de Zumbi dos Palmares. É uma oportunidade para avaliarmos nossos preconceitos, ainda que escondidos, escamoteados, e tentarmos nos livrar deles. Em especial num país como o Brasil, em que muita gente se orgulha de dizer que não há racismo. Será? Ou será que nosso racismo não é ostensivo? Se for assim, é ainda mais difícil extirpá-lo, porque o negamos, apesar de existir.

Por muito tempo pensei que deveríamos negar as diferenças, para que todos fôssemos iguais. Hoje percebo que o ideal é celebrar as diferenças e abraçá-las. O mundo é feito de pessoas diferentes, um mundo de iguais seria muito chato. Ainda bem que somos diferentes. Entretanto o que ocorre é que costumamos discriminar o diferente por conta de sua diferença, o que é um comportamento desumano, visto que nega a própria diversidade humana. Como Caetano diz na música Sampa, “é que Narciso acha feio o que não é espelho…”.

Fazer as pazes com nossas diferenças é aceitar que o mundo é multicolorido, multicultural, multifacetado. Foi o apóstolo Paulo que falou sobre uma certa multiforme graça de Deus, ou seja, uma graça que assume múltiplas formas, já antecipando a consciência sobre a aceitação das diferenças. O que não pode se admitir é o tratamento discriminatório por conta dessas diferenças. Se somos diferentes na cor, na origem, na cultura, não podemos ser diferentes no tratamento digno, no respeito aos direitos fundamentais e igualdade de condições de acesso aos benefícios econômicos.

Somos um em Cristo. Com todas as nossas diferenças Ele nos acolheu a todos, não fez, e não faz, discriminação de ninguém. Foi também Paulo que escreveu que em Cristo não há judeu ou grego, homem ou mulher, escravo ou livre, porque todos somos um em Cristo. No Reino de Deus, ideal de Justiça, não há qualquer distinção, ali os diferentes convivem bem e são tratados com a mesma dignidade e o mesmo amor. Faz sentido, então, orar para que o Reino de Deus venha a nós e que seja feita a vontade de Deus, assim na terra como no céu. Se isso acontecer, ou seja, se nos dispusermos a cumprir a vontade de Deus, o racismo será extinto. Até porque o racismo é a negação do Evangelho. Não vejo como seja possível ser cristão e racista ao mesmo tempo.

Deus nos fez assim, em nossa gênese fomos feitos para sermos diferentes uns dos outros, mas todos procedemos de Deus. E quando Deus nos fez, viu que tudo que o tinha criado era muio bom. E Deus nos amou a todos e acolheu a todos. A cruz de Cristo é uma prova de amor a todas as pessoas. Se Deus tanto amou a todos, indistintamente, quem é o homem para discriminar os amados de Deus?

É necessário se arrepender, pedir perdão, abandonar o preconceito racial e abraçar as diferenças e os diferentes. Assim, Deus estará sendo abraçado.

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