Márcio Rosa da Silva

Na esteira dos 26 anos da Folha de Boa Vista, comemorados nesta semana, lembrei-me que agora em outubro completei 7 anos escrevendo neste espaço, sempre aos sábados. Com essa idade uma criança já estaria lendo e escrevendo, já bem grandinha, correndo serelepe e fazendo estrepolias. É uma vida. Não tem como fugir do lugar comum e não dizer que parece que foi ontem que comecei.

É interessante como contamos o tempo, e é tão bom que seja assim: dias, semanas, meses, anos… Só assim podemos refletir a respeito do tempo que passou. Sete anos depois, vejo que mudei. Ainda bem. Já pensou se nunca mudássemos? Amadureci um pouco, abandonei algumas ilusões, revi algumas expectativas que se mostraram ingênuas ou irreais, hoje procuro ser mais humano.

O bom de escrever, assim sistematicamente, toda semana, é que essas mudanças do ser vão ficando registradas nos textos, vão sendo documentas pela escrita. As fotografias registram sua imagem, as rugas, os cabelos a menos, os quilos a mais. Mas o texto vai registrando sua alma, seus sentimentos, sua (i)maturidade. É uma radiografia do coração e da mente.

Uma coisa que pensei nesses 26 anos da Folha e também nos meus 7 anos de aprendiz de escritor, é que o tempo passa, quer você faça ou não alguma coisa. Se você deixa de realizar algo que está em seu coração, o tempo vai passar da mesma forma e, depois, você verá que o tempo escorreu por entre os seus dedos e você nada fez. Assim vão se passando os anos e, se nada for realizado, fica somente o lamento pelo tempo que se foi.

É necessário ser protagonista da própria história. Sim, muito do que acontece na nossa vida não depende de nossas decisões, mas são resultantes do que outras pessoas fizeram ou das contingências da vida. Mas boa parte dos rumos de nossa vida depende das decisões que tomamos, da firme disposição de fazer acontecer algo.

Se o Dr. Getúlio Cruz não tivesse tomado a iniciativa de iniciar e consolidar a Folha, os 26 anos teriam passado e esse veículo tão precioso não teria sido construído. Se, quando, convidado pelo Jessé Souza, eu tivesse recusado, alegando falta de tempo, ou tivesse dado lugar à indolência, os 7 anos teriam passado e eu não teria produzido tantos textos.

O tempo passa. Isso é inexorável. Mas podemos realizar, construir, muitas coisas no transcorrer do tempo. É possível fazer o tempo que passa valer a pena. A Folha de Boa Vista é uma prova disso.

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