Márcio Rosa da Silva

Estou em busca de uma espiritualidade que seja coerente com o espírito das Escrituras, que seja fiel à essência do evangelho de Jesus Cristo, que faça sentido e seja o sentido das boas notícias trazidas por Jesus.

Eu estou realmente empenhado em tentar viver uma espiritualidade profunda, porém leve e humana. Não uma espiritualidade sobrenatural, mas humana, para chegar mais perto de Deus e do próximo. Quando Deus fala através do profeta Ezequiel, Ele diz que daria ao povo um coração novo, tiraria o coração de pedra e colocaria no lugar um coração de carne. Ou seja, no lugar do embrutecimento, que é sempre pecado, a sensibilidade. Um coração humano mesmo. De carne. Imperfeito. Mas não no sentido de estragado, e sim no sentido de inacabado, que ainda está em construção.

Não dedico minha vida, nem os melhores anos da minha vida à pregação do evangelho para agradar religiosos. Tampouco fui vocacionado para pregar para plateias de gente santa e perfeita. Não me empolga pregar para auditórios lotados de gente que “se acha”. Não quero olhar para trás e ver que investi meus melhores anos falando para gente que queria somente reafirmar seus sentimentos de superioridade espiritual. Não vejo a menor vantagem em sentir alívio por ser “santo” e não ser como o miserável pecador que está ao lado (esse sentimento era o que alimentava o fariseu que Jesus reprovou por estar orando assim, ao lado de um “pecador”).

Os sãos não precisam de médico. Salvação é para quem precisa. A boa notícia da graça é para quem se vê necessitado. Quem é perfeito não precisa de Jesus, nem de sua mensagem, nem de sua graça.  Quem se acha perfeito, é um tolo e, geralmente, intolerante.

O que me empolga, o que enche o meu coração de ânimo, o que me faz acordar todos os dias ainda animado com o Reino de Deus, é a possibilidade de anunciar boas notícias de esperança e amor para aqueles que se reconhecem pecadores. O que me deixa animado e cheio de vigor é poder anunciar um evangelho que é boa notícia para os pobres de espírito, para os contritos, para os marginalizados, para os excluídos, para aqueles que a religião institucionalizada excluiu por conta de suas inadequações.

O que me faz vibrar com o evangelho é a possibilidade de anunciar uma notícia que alegra o coração de quem está triste. Uma notícia que traz riso para quem a vida só proporcionou choro. Uma voz de alento e conforto para aquele que se sente só, abandonado, infeliz.

O que é mais espetacular é que posso anunciar uma palavra de amor para aqueles que ninguém mais quer amar. É dizer com autoridade e com poder, que o poder que importa mesmo, no fim das contas, é poder do amor. Que tudo passará, mas o que ficará para sempre é o amor.

Bom é saber que Jesus veio para abraçar a todos, mesmo correndo todos os riscos de ser tachado de amigo de pecadores, que anda com pecadores e prostitutas, beberrão e glutão. Ele veio para proclamar liberdade aos presos, vista aos cegos, alegria aos tristes e aliviar os corações angustiados. Para dar esperança para o desanimado e a amor para os que querem ser amados.

Essa é uma mensagem que vale a pena anunciar.

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