Márcio Rosa da Silva

Há muitos movimentos cristãos que estão sempre em busca de uma nova unção, como que um renovo de ânimo para prosseguir na caminhada. Mas é preciso re-significar a expressão “unção” nos dias de hoje.

Infelizmente, unção tornou-se sinônimo de poder. A palavra é usada como sinônimo de reuniões em que acontecem coisas extraordinárias, como visões, arrebatamentos, exorcismos e outras coisas supostamente miraculosas.

Na verdade, unção tem que ser algo que me torne mais parecido com Jesus. De que adianta ter um culto cheio de pirotecnia e grandes sinais e prodígios, mas não haver amor, gentileza, misericórdia na vida das pessoas. De que adianta sair de um culto assim e, no trânsito, no dia seguinte sair chingando todo mundo, com o coração cheio de ódio?

Então, não precisamos de uma “nova” unção, mas precisamos almejar o mesmo sopro do Espírito que estava sobre Jesus. Essa unção deve ser buscada ardentemente. Mas ela não virá como num passe de mágica. É uma unção que se manifestará no dia-a-dia, numa caminhada com Deus, numa peregrinação que dura toda uma vida.

Precisamos da mesma unção que estava sobre Jesus, para fazermos o que ele fez, vivermos como ele viveu, agir como ele agiu. Ele é o nosso paradigma, ele é o nosso modelo. Ele é o nosso mestre (não somos seus discípulos?).

Precisamos de uma unção que nos faça menos exigentes e mais cheios de fé, para que vivamos independentemente de qualquer milagre, para servir a Deus por quem ele é e não pelo que ele possa dar. Aliás, viver sempre na dependência de um milagre nos faria irresponsáveis. Imagine não estudar para o vestibular, confiando que na última hora Deus vai fazer um milagre e você passar. Isso seria irresponsável e também uma trapaça com relação a quem se esforçou e estudou.

Carecemos de uma unção que nos faça mais discretos e mais efetivos. Com menos rompantes ufanistas, como a idéia de conquistar o Brasil e o mundo inteiro para Cristo em poucos anos, e com mais ações que sejam vislumbres do Reino de Deus às pessoas, sem alarde.

A unção de que precisamos é aquela que nos faz mais sedentos por justiça. Eu já abandonei a pretensão por um unção que me faça parecer muito espiritual mas que me torne insensível com a dor alheia. De que adianta falar todas as línguas, da terra e do céu e não ter amor? É preferível dar demonstrações concretas de amor ao próximo, do que demonstrações performáticas de poder espiritual sobrenatural.

A unção que verdadeiramente procede do Espírito Santo nos faz mais cheios de graça e misericórdia, para sermos como Jesus, que não esmaga a cana quebrada, nem apaga o pavio que fumega, mas tem compaixão de daquele que está ferido e fragilizado.

Essa é uma nova unção? Não. É aquela que estava na vida de Jesus, é a velha unção mesmo, sempre renovada na vida dos que amam a Deus.

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