Márcio Rosa da Silva

 

Bom seria se não fosse necessário haver um dia internacional da mulher. Se existe, é porque ainda não conseguimos, como sociedade, respeitar os direitos da mulher de maneira integral. Se ainda é preciso marcar tal data, é porque ainda existe discriminação, ainda existe opressão. A mulher ainda sofre por conta de sua própria condição feminina, por conta da dominação machista que ainda acontece.

Fico intrigado porque geralmente as minorias é que são oprimidas, mas no caso da mulher, elas não são minoria, pelo contrário, há um pequeno percentual quantitativo em favor delas. Então a razão pela qual machismo predominou durante quase toda a história da humanidade é mesmo cultural.

Ainda bem que estamos vendo as mulheres ocupando os espaços que por tanto tempo lhes foram negados. Em nossa sociedade elas já lideram, já têm funções de alto nível, estão onde sempre deveriam ter estado, ou seja, dividindo espaço com os homens.

Mas, sem querer ser sexista, ainda acho que as mulheres têm algo de superior aos homens. Além de serem capazes de realizar qualquer atividade que os homens realizam, elas podem gerar e gestar a vida. Só isso já deveria ser razão para nós, homens, reverenciá-las, embevecidos, como semi-deusas.

Só elas é que conseguem – não me perguntem como – demonstrar competência em qualquer atividade laboral e, ao mesmo tempo, ter capacidade para serem boas mães, esposas amorosas e ainda cuidarem delas mesmas – o que, aliás, elas adoram fazer.

Ah, o que seria desse mundo sem as mulheres, sem a beleza, a doçura, a delicadeza – às vezes bruta, sem o acolhimento, sem o colo das mulheres?

Não, não estamos num ringue competindo com elas. Somos parceiros delas. Essa foi a idéia original no relato da criação: Deus formou o homem e a mulher para serem parceiros, e viu que isso era muito bom. Nós é que mudamos tudo e passamos e oprimir as mulheres. Então cabe a nós mesmos fazermos as coisas retornarem ao plano original, em que mulheres e homens têm o mesmo valor, a mesma importância.

Sei, porém, que assumir todos esses novos papéis gera uma dificuldade imensa para conciliar a vida contemporânea com os antigos papéis de mãe e esposa. Mas elas não se intimidam por conta disso, não recuam com medo dos novos horizontes que lhe são propostos. Como amazonas da modernidade, elas continuam conciliando tenacidade com doçura, força com leveza e poder com sensibilidade.

Por tudo isso, a elas, minhas reverências.

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