Márcio Rosa da Silva

É impressionante como ainda hoje a lei da religião seja colocada acima da vida.

Um criança de 9 anos é estuprada durante 3 meses pelo padrasto. Grávida, uma gravidez de risco, sua mãe decide pela interrupção da gravidez (o que é permitido legalmente no Brasil – é uma gravidez resultande de estupro).

Rápido no gatilho, o arcebisco de Pernambuco excomungou a mãe da criança e a equipe médica. Justificativa: eles feriram uma lei da igreja que prevê a excomunhão.

E o que é mais chocante: o estuprador não foi excomungado (ele estuprou a enteada de 9 anos, por três meses, e também uma outra enteada de 14 anos que tem problemas mentais), porque, afinal, o crime que ele cometeu não tem previsão de excomunhão no Código Canônico (segundo o mesmo arcebispo).

A criança de 9 anos carregará o trauma do estupro reiterado, da gravidez interrompida e, para completar, a pecha de ser filha de uma “excomungada”. Será que seria o caso também de condenar essa criança a jamais poder fazer a primeira comunhão?

Esse é um exemplo emblemático de se colocar a lei acima da vida. A ortodoxia, a inflexibilidade e a insensibilidade atropelaram a vida dessa menina. Infelizmente.

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