“Retirados os nossos freios morais e de posse de poderes absolutos, podemos nos tornar monstros de perversidade e iniquidade”.

Ricardo Gondim

Márcio Rosa da Silva

É duro admitir que um ser humano seja capaz de violentar, infligir dores horrendas a outro ser humano e ainda matar de modo cruel. Mas, sim, isso acontece, como no caso da jovem morta no fim de semana, que a todos estarreceu. A violência pela violência, gratuita, é muito própria do ser humano. Em outras espécies animais, a violência tem, geralmente, o instinto de sobrevivência como motivação, muito diferente da violência sem razão noticiada reiteradamente pelos meios de comunicação.

Difícil não se lembrar da célebre frase de Thomas Hobbes: “o homem é o lobo do homem”. Não há nenhuma espécie animal que nos ameace. Somente o próprio homem é que põe em risco sua existência. Se a humanidade pudesse ser extinta um dia, seria por atos dos próprios seres humanos.

Quantas atrocidades já foram perpetradas. Quanta violência, quanto sangue derramado, quantas guerras fratricidas. Será que o ser humano é intrinsecamente mau? É correto afirmar que não há possibilidade de o ser o humano ser bom, naturalmente bom?

Eu continuo crendo que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, o Criador. Portanto, ele é capaz de fazer coisas boas, bonitas, criativas, assim como Deus. É capaz de amar, fazer o bem, ser altruísta, realizar atos maravilhosos. Infelizmente, quando o ser humano vai se afastando do Criador, vai também desvanecendo dele a imagem e a semelhança de Deus. Torna-se, então, capaz das coisas mais terríveis, tais como desviar para si dinheiro de merenda escolar, ou o dinheiro que atenderia uma pessoa que está no Pronto Socorro, mas que morre por falta de médico ou de equipamentos, ou o dinheiro que daria melhor educação aos menos favorecidos, ou ainda, o torna capaz de matar uma jovem de 22 anos por pura maldade. Todos esses crimes são crimes de sangue, porque os desvios de dinheiro público também podem resultar, lá na ponta – onde os serviços deveriam ser prestados, em morte.

A maldade humana foi capaz de crucificar o amor encarnado, o que foi apenas uma amostra do nível a que poderia chegar tal maldade.

Minha esperança é a crença inabalável de que o bem vencerá afinal. Porque mesmo com tantas maldades e coisas horrendas, a humanidade continua avançando. Mesmo com toda a violência ainda não nos destruímos totalmente. Sempre haverá pessoas mais próximas da bondade do que da maldade e capazes dos gestos mais generosos. Por isso ainda não fomos extintos. Porque ainda surgem pessoas como Madre Tereza, como Mahatma Gandhi, como Al Gore (em sua luta pela preservação do meio-ambiente), ou como aquele anônimo que visita discretamente os hospitais levando um pouco de carinho a moribundos, ou como aquela mulher que ninguém conhece, mas visita um abrigo para ler um conto de fadas para crianças tão brutalizadas pela vida, ou ainda como aquele jovem desconhecido que usa sua vitalidade para contar piadas e fazer graça para idosos abandonados em asilos que não teriam mais nenhum motivo para sorrir.

É por causa de gente assim que, apesar de toda violência e maldade ainda existentes, continuo crendo que a humanidade tem futuro.

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