Márcio Rosa da Silva

É pavoroso assistir a tudo o que está acontecendo na Faixa de Gaza. Quer dizer, assistir alguma coisa que lentes poderosas conseguem captar, já que Israel não permite a presença da imprensa estrangeira na região. Corpos de crianças palestinas, centenas, cobertos por lágrimas de mães inconsoláveis. Jovens soldados israelenses, alguns, perdendo a vida e gerando comoção entre seus amigos de juventude. São alimento para o ódio milenar entre esses dois povos, num movimento circular de violência sem fim.

É o absurdo da guerra. Nenhuma guerra é justa, nenhuma é boa, nenhuma deveria ser admissível. Também é absurdo assumir a defesa incondicional de qualquer dos lados. O Hamas estimula que jovens palestinos se suicidem para levar junto alguns israelenses e isso é deplorável. Por outro lado Israel promove um massacre, haja vista a desproporção de forças entre seu poderoso exército e as forças milicianas presentes em Gaza.

Chega a ser um despautério que pessoas de movimentos cristãos defendam de maneira ferrenha as ações de Israel, baseando-se em interpretações toscas de alguns textos bíblicos. Como se o Estado de Israel atual representasse o povo escolhido de Deus e, portanto, todas as suas ações fossem legitimadas divinamente.

Tal leitura não é cristã, pelo menos não conforme a mensagem cristã, aquela anunciada por Jesus Cristo. Também não leva em conta que a Bíblia hebraica manda que se trate como benevolência os estrangeiros, porque os hebreus também foram estrangeiros em terra estranha. Agora são os palestinos que são estrangeiros em sua própria terra.

Não me consta que haja alguma exceção para o ponto essencial da mensagem de Jesus que fala sobre amar o amigo e o inimigo, amar o outro como a si mesmo. O outro pode ser judeu, israelense, árabe, palestino, americano, africano, europeu, rico, pobre. Todos. Sem exceção.

Não sou a favor de nenhum dos lados, sou a favor da paz e da vida. Bem-aventurados os pacificadores, foi o que ensinou Jesus. Também aprendo com ele que não se deve pagar o mal com o mal, mas vencer o mal com o bem. Enquanto Israel continuar massacrando os palestinos, tentando vencer o mal com o mal, mais jovens vão se enfileirar como voluntários para se explodirem em território israelense. Sei que é um chavão, mas a violência vai gerar ainda mais violência. Enquanto mães carregarem os cadáveres de seus filhos, num banho de sangue e lágrimas, não haverá paz no Oriente Médio. Foi o que disse o Senhor ao reprovar o uso da espada, pois quem com a espada fere, também com ela será ferido.

Por que Israel, como lado mais forte, não toma a iniciativa de vencer o mal com o bem?

Daqui de longe, sem ter muito o que fazer, oro pela paz em Gaza, que também é povo de Deus, amado e querido pelo Criador, tanto quanto israelenses, tanto quanto cristãos, judeus, muçulmanos ou ateus. Qualquer ação que vise destruir tais pessoas, ou qualquer pessoa, é um atentado contra a santidade de Deus.

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