Márcio Rosa da Silva

Que bom que o tempo tem essas vírgulas. De quando em quando, tudo se renova. O fim do ano é assim, uma vírgula, uma pausa para respirar, talvez mudar a entonação, e prosseguir. Já imaginou se o tempo seguisse sem essas pausas? Os dias se passando sem finais de semana, sem o fim do mês, sem as festas de fim de ano. Seria horrível.

Gosto de imaginar também a passagem do tempo como o o folhear um livro. A passagem de ano seria como virar uma página, a página do tempo. Com uma enorme diferença: num livro comum tudo já escrito, já se sabe o que vai acontecer, o autor já determinou tudo. Na vida, não sabemos o que virá, as páginas estão sendo escritas. Aquele que vira a página é co-autor do conteúdo do livro. O Autor da vida vai escrevendo junto conosco as páginas desse imenso livro da vida.

Mas do que depende o conteúdo da próxima página? Como será o ano que já está irrompendo no horizonte? Grande parte do que acontecerá em 2009 será fruto de coisas que não estão no meu controle, a vida é imprevisível. Mas, em boa medida, o que vai acontecer dependerá das minhas reações e das decisões que tomarei diante das coisas imprevisíveis que vão acontecer. Assim vou construindo o enredo que vai encher essa nova página. Quais serão minhas atitudes diante da complexa trama da vida?

Eu, particularmente, quero começar escrevendo algo que esteja relacionado à gratidão. Se eu estiver vivo no primeiro minuto do próximo ano, quero ser grato, porque reconheço que a vida é um dom.

Também quero rabiscar algumas linhas sobre perseverança, constância, disciplina. Quero poder começar e terminar projetos. Não desistir de nada por conta de obstáculos, eles sempre aparecem. No meu exercício de correr nas ruas de Boa Vista, quero a constância para terminar o ano que vem, correndo, ao menos, uma meia maratona. Para mim será a glória.

Outra coisa que quero ter nessa nova página é uma porção de alegria. Isso virá com minha família, meus amigos e boas conversas e bate-papos descontraídos. A alegria só existe com e através de pessoas. Até porque ela é sempre compartilhada. Como diz o escritor de Eclesiastes, quero comer o meu pão com contentamento, beber o meu vinho com alegria e aproveitar a vida com a mulher da minha juventude.

Acima de tudo não quero perder a esperança, mas no primeiro minuto do ano novo quero renová-la. A esperança de que o mundo pode e vai ser melhor a partir da vivência daquilo que foi ensinado por Jesus Cristo. A esperança de que as pessoas podem ser melhores se encarnarem aqueles ensinamentos simples, mas profundos, que marcaram a história da humanidade. Renovo a esperança de que a Justiça prevalecerá e que o direito do órfão e da viúva não será corrompido por pessoas perversas. Que por fim, o Sol da Justiça brilhará trazendo salvação sob suas asas e o Reino de Deus será estabelecido.

Ainda que apenas com alguns traços, rabiscados de modo vacilante, quero colaborar para que essa história seja escrita.

Façamos um ano novo feliz!

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