Márcio Rosa da Silva

Conheço várias pessoas que são tomadas por sentimentos nostálgicos e melancólicos quando chega o mês de dezembro, por conta da proximidade do Natal. Ficam mais saudosos dos que já partiram, daqueles que estão longe, ou simplesmente não sabem explicar a razão da tristeza nesta época. Mas quero trazer uma boa notícia: o Natal serve justamente para lembrar que não estamos sós. Deus se fez carne e habitou entre nós. Deus agora é Emanuel, ou seja, Deus conosco. Não estamos sozinhos.

O Deus da Bíblia não pode ser acusado de ter nos criado e nos abandonado à própria sorte. Ele não é uma divindade sádica que tem prazer em nos ver sofrer, enquanto fica distante, entronizado e inacessível. Ele veio se envolver conosco e com nossa humanidade. O Deus do universo se humanizou e mostrou-se ao mundo na fragilidade de um bebê. Abriu mão de toda sua glória e poder para nos visitar como um de nós, sentir nossas dores, angústias, limitações. Esvaziou-se de si mesmo e veio em carne, viveu e morreu morte de cruz.

É lindo o que John Stott diz a respeito disso, no livro “Porque sou cristão”: “O crucificado é o Deus por mim! Ele colocou de lado a sua imunidade para sentir a dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e sangue, lágrimas e morte. Ele sofreu por nós, morrendo em nosso lugar, a fim de que pudéssemos ser perdoados. Nossos sofrimentos tornam-se mais suportáveis à luz do Cristo crucificado. Há ainda um ponto de interrogação no sofrimento humano, mas sobre ele estampamos ousadamente outra marca, a cruz, que simboliza o sofrimento divino.”

O maior presente que Deus poderia ter nos dado era aquela criança. É talvez por isso que Isaías diz exatamente que foi um presente para a humanidade: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado…” (Isaías 9.6). Foi realmente um presente de Deus. Um presente que me lembra que ainda há esperança. Deus não desistiu da humanidade, por isso ele enviou Jesus. Nele há esperança de redenção para toda a criatura, para qualquer um que desejar.

É terrivelmente triste olhar ao redor e perceber um mundo mergulhado em guerras absurdas, desigualdades vergonhosas, violência, fome, dor. A religião produzindo mais desolações do que promovendo a justiça. As pessoas mais preocupadas com o que podem ter do que com o que podem fazer pelo outro. Pessoas morrendo sem Deus, sem casa, sem comida, sem família, sem dignidade, sem nada. É profundamente triste. Quando penso nisso me dá vontade de desistir do ser humano.

Mas então consigo vislumbrar um lampejo de esperança, uma réstia de luz, um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, Deus está conosco, Ele não desistiu da humanidade. É muito amor por criaturas que na maioria das vezes são tão ingratas. Mas Ele nos amou assim mesmo, e de tal maneira que deu seu filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Agora, nos meus momentos de melancolia, em que me sinto solitário, abandonado e triste, em que sou tomado por um total sentimento de inadequação, lembro-me de um presente especial que Deus me deu: Jesus. Ele mesmo se entregou por mim, visitou-me na minha humanidade, amou-me na minha inadequação, buscou-me no meu pecado e nas minhas limitações. Não estou mais só. É dezembro, o Natal está chegando! Alegremo-nos! Somos amados de Deus e Jesus é a prova disso.

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