Márcio Rosa da Silva

Muitas pessoas procuram as igrejas atrás de solução para todos os seus problemas, suprimento de todas as suas carências, resposta para todas as suas perguntas e pronta ajuda em todas as dificuldades. Muitos olham para pastores, padres, líderes eclesiásticos, como se fossem messias que têm sempre capacidade para, num gesto, eliminar qualquer dolorosa imposição da vida. Há quem procure uma igreja esperando que lá terão explicações cabais para todos os dramas humanos e para todos os mistérios do universo. Não encontrarão.

Quando esses buscadores encontram instituições que se colocam como essa panacéia e líderes que se apresentam como messias, eles terão um conforto temporário, mas, em algum tempo, vão descobrir que o que procuram, da maneira como procuram, não existe. É claro que não faltam líderes inescrupulosos, abusadores espirituais, que, ao perceberem essa demanda de pessoas em busca de respostas rápidas e resolução de problemas como que num passe de mágica, iludem aos ingênuos e também àqueles que, não tão ingênuos, querem se deixar iludir.

Transferir os problemas pessoais para que a igreja, ou qualquer outra instituição, resolva, é exigir demais. Penso que seja uma fuga, uma tentativa de não assumir responsabilidades quanto à própria vida. Existem conflitos emocionais que devem ser enfrentados pelo indivíduo. Ninguém, a não ser ele mesmo, conseguirá saná-los. Todos passamos por algum deserto existencial na vida. Nesse deserto, serão só você e Deus. Ninguém mais. É o momento de crescer e deixar de acreditar que as outras pessoas assumirão seus problemas.

As expectativas sobre quem se coloca como líder, numa comunidade cristã, não podem ser desumanas. Apesar da interpretação das cartas do apocalipse indicarem que os anjos ali mencionados são os pastores das igrejas, devo dizer que não somos anjos. Somos, os pastores, de carne e osso, sangue e músculos, emoções, tensões e dificuldades como qualquer outra pessoa. E o pregador que não assumir isso mente para si mesmo e para os outros.

Mas, uma vez assumindo nossa humanidade, com todas as implicações disso, qual seria o papel da igreja? O de comunidade de pessoas que se ajudam mutuamente, que aprendem com os erros e acertos uns dos outros, que crescem ao se relacionarem umas com as outras, aprendendo a lidar com as diferenças, todas com o objetivo comum de andar com o fundador da igreja, Jesus, e vivenciar os valores do Seu Reino. Tem ela o papel de ser um reflexo de seu Senhor, portanto luz que indica o caminho e sal, que tempera e faz diferença.

E o papel do líder dessa comunidade, do pastor, do padre, do ancião, do presbítero, seja lá o título que se dê a ele? É o de indicar pistas, vislumbres, caminhos. É o de apontar veredas. É o de alertar, falar e viver o Evangelho.

A partir das pistas que forem dadas, dos caminhos apontados, da palavra pregada, dos valores do Reino de Deus vividos, cada indivíduo deve assumir a responsabilidade pelas suas decisões e enfrentar, ele mesmo, os desafios que a vida impõe.

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