Márcio Rosa da Silva

 

Não acredito que eventos possam mudar realidades que só serão transformadas com muita disposição e esforço no dia-a-dia das pessoas. Cristianismo não é evento, e sim relacionamento. Relacionamento com Deus e com as pessoas, em especial com pessoas fora do ambiente religioso para as quais se deve testemunhar acerca de Jesus. Muitos eventos religiosos não têm nenhuma conexão com as pessoas comuns e são feitos para consumo interno, não comunica nada para os de fora e quando o faz não comunica algo positivo.

Não acredito que os cristãos tenham que “decretar” coisa alguma. Não vejo nada parecido com isso nas palavras de Jesus. Ao contrário, ele disse algo como ter fome e sede de justiça, ser pacificador, ser misericordioso, viver numa dimensão em que a prática gere transformações. Algo como vestir o nu, alimentar o faminto, visitar os presos e doentes. Acredito que as realidades precisam ser mudadas para se conformarem ao Reino de Deus, mas isso não acontecerá por decreto e sim por vida e prática.

Não acredito que ordens para que supostos demônios desocupem prédios e outros logradouros surtam algum efeito. Não acredito que exista um demônio da corrupção, o que existem são pessoas corruptas. E a corrupção só pode ser exorcizada pelo voto livre e consciente e pela vigilância constante da sociedade e não com ordens exaltadas.

Não acredito que a oração seja uma espécie de batalha, uma batalha espiritual. Não consigo ver uma atitude de guerra nas orações de Jesus. Pelo contrário, vejo uma atitude de entrega. “Pai nosso… seja feita a sua vontade, na terra como no céu”, “Pai, afasta de mim esse cálice, mas cumpra-se a tua vontade e não a minha”, “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”, são apenas alguns exemplos de orações de Jesus. Não há nenhuma atitude belicosa, o que há é entrega, intimidade, conversa carinhosa entre um filho e um Pai amoroso e bom. Transformar a oração num instrumento de guerra, ainda que santa(?), é uma distorção.

Não acredito num evangelismo agressivo. Aliás, essa expressão é uma contradição de termos. Se o evangelismo for agressivo, já não será evangelismo, pois este deve ser sempre doce, amoroso, acolhedor, gentil e cheio de compaixão e misericórdia. Agressividade não combina com evangelho, porque não combina com Jesus.

Não acredito que para testemunhar Jesus para o mundo tenhamos que fazer grandes concentrações públicas para demonstrar o poder e a força de seu povo. Qualquer movimento humano pode fazer isso e nem por isso será algo de Deus. Acredito que, como disse o Apóstolo Paulo, os discípulos devem ser o bom perfume de Cristo. Ou seja, mesmo sem aparecer faz toda a diferença por conta de sua essência. Jesus deve ser testemunhado através de anônimos que vivem suas vidas tendo o desejo de transformar esse mundo em algo parecido com o Reino pregado por Jesus. Assim o fazem onde trabalham, onde estudam, em suas famílias, no trânsito, e até nas igrejas.

Não acredito que as pessoas devam dar ouvidos a “revelações proféticas” que não tenham respaldo na mensagem cristã. Apesar de essas “revelações” terem uma roupagem mística, tomarem ares de infalibilidade e, por isso mesmo, serem mais atrativas, é preferível ficar com a reflexão simples, porém profunda, na mensagem de Jesus já revelada nos Evangelhos. Nessa mensagem eu acredito e assumo como missão compreendê-la e colocá-la em prática.

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