No contexto religioso, a preocupação com o avanço do mundanismo dentro da igreja é freqüente. Para quem não está familiarizado com termos eclesiásticos, mundanismo é o conjunto de práticas e conceitos do mundo que são contrários aos valores bíblicos.

Há quem diga que o mundanismo que ameaça a igreja é ouvir música não cristã, assistir filmes no cinema, vestir roupas segundo o uso contemporâneo, usar jóias, degustar bebidas e, pasmem, até praticar esportes. Ter preocupação com esse tipo de coisa é uma perda de tempo.

Primeiro, porque nem tudo o que existe no mundo é ruim. Deus tanto amou o mundo (humanidade) que deu seu Filho, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Quando Deus criou o mundo (planeta Terra e humanidade) viu que tudo o que tinha criado era bom.

Segundo, porque o mundanismo que devemos combater é um sistema perverso que envolve as pessoas numa espiral de ruína e decadência. É o que João, o apóstolo amado, chama de cobiça dos olhos, cobiça da carne e ostentação de bens, que é a soberba da vida. Isso é o que realmente ameaça a integridade daqueles que querem caminhar com Cristo.

O mundanismo é um sistema pecaminoso reinante, que se traduz em maldade, mentira, degradação sexual e moral, soberba, orgulho, ostentação, desonestidade, engano, destruição, consumismo, busca desenfreada por poder e opressão. É uma maldade sistêmica.

É essa maldade sistêmica que devemos repugnar. Foi essa maldade sistêmica que crucificou a Jesus de Nazaré. Foi esse mesmo sistema que provocou a primeira e a segunda grandes guerras mundiais.

É esse sistema mundano, perverso, essa maldade sistêmica que derrubou as torres gêmeas em Nova York, e o mesmo sistema provocou as guerras do Afeganistão e do Iraque, resultando na morte de centenas de milhares de civis inocentes.

É esse sistema mundano que devemos odiar, que provocou o genocídio de  Rhuanda, o Apartheid na África do Sul e os conflitos nos bálcans. Também o mesmo sistema mundano e odioso provoca, ainda hoje, a morte de pessoas por falta de comida. É o mesmo sistema que faz com que pais e mães de família não tenham emprego, nem com o que sustentar suas famílias.

É esse sistema mundano que faz com que milhões de brasileiros não saibam ler e escrever, que milhares de jovens morram, vítimas do alcoolismo, das drogas, da violência gratuita, da violência no trânsito.

Esse sistema odioso empurra as pessoas para um consumismo desenfreado, no qual as pessoas são valorizadas pelo que elas podem ter e comprar e não pelo conteúdo do seu caráter.

Esse mesmo sistema faz com que milhares de pessoas morram por falta de atendimento médico suficiente, por falta de condições sanitárias decentes e por uma alimentação inadequada.

Esse sistema mundano leva as pessoas a uma religiosidade também mundana, na qual não são apresentadas à Graça de Jesus Cristo, mas a uma religião de mercado, na qual o fiel sempre terá que ter alguma vantagem material, física, econômica. É a religião da satisfação garantida, como se fosse uma relação de consumo. Com uma diferença: na religião de consumo não se diz “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”. Quando os rituais não funcionam, quando os sacrifícios tolos não dão certo, quando as correntes não surtem o efeito desejado, quando as “palavras proféticas” não se cumprem, recebe-se de volta tão somente a frustração, a desilusão, a decepção, o trauma, e, às vezes, a apostasia, o total abandono da fé.

Realmente o mundanismo ameaça a igreja, mas temos que saber discerni-lo.

Márcio Rosa da Silva

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