Nesses dias de tensão em nosso estado, uma frase tem martelado minha cabeça: “Não há caminho para a paz. A paz é o caminho”. O autor é Mahatma Gandhi, conhecido pela defesa da realização de protestos não violentos e da resistência pacífica e um dos principais responsáveis pela independência da Índia do império britânico.

Outro que pregou e viveu a resistência pacífica e formas não violentas de protesto foi o Reverendo Martin Luther King Junior, que gerreou contra segregação racial nos Estados Unidos, mas o fez com as armas da paz, sem estimular o ódio e a separação. Quem lhe fazia contraponto no movimento negro era Malcon X, que defendia uma reação violenta para impor a igualdade.

Qualquer proposta para impor a paz através da violência é ridícula e um paradoxo. Estimular ódios, levantar barreiras entre as pessoas, atiçar o confronto, falar em derramamento de sangue sem refletir no que isso significa é uma grande irresponsabilidade. Um confronto violento pode ter desdobramentos imprevisíveis. Além disso, a história da humanidade comprova que a violência só gera mais violência e rancores entre as pessoas.

Independente de que lado se esteja, qual a ideologia ou grupo que se defenda, a violência nunca pode ser uma alternativa. Num desenlace violento, ninguém é vitorioso, todos seremos derrotados. Seremos derrotados como pessoas, como sociedade, como povo que não conseguiu resolver suas tensões, naturais em qualquer grupamento humano, de forma civilizada e pacífica. Isso não interessa a ninguém.

Fico pensando que, num país, ou mais especificamente, num estado em que mais de 90% da população se declara cristã, os ensinamentos de Jesus não podem ser tão ignorados. Ensinos como: se alguém lhe obriga a andar uma milha, ande com ele duas; todos os que empunham espada, pela espada morrerão; bem-aventurados os pacificadores e os sedentos e famintos de justiça.

Para que uma comunidade que se diz cristã de fato seja cristã, ela tem que promover a paz, tem que restaurar os vínculos de fraternidade que nos conectam e não rompê-los, tem de reparar injustiças feitas no passado de modo razoável e estabelecer uma convivência pacífica no presente.

O que se espera de todos, grandes e pequenos, autoridades e povo, índios e não-índios é que façam da paz o seu caminho, para que, então, a justiça, que é dar a cada um o que seu devido, seja estabelecida e a paz prevaleça.

Márcio Rosa da Silva

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