Eu gosto de festa. Celebrações são marcantes e algumas indispensáveis. Parece que Jesus, quando andou por aqui, também gostava de uma festa. Ele foi a casamentos, jantava na casa de pessoas importantes e na casa de pobres e não dispensava um bom vinho. Estar junto a pessoas queridas, festejando alguma conquista, uma data importante ou mesmo a própria vida, é extremamente prazeroso.

Entretanto tenho dificuldades com relação a algumas festas sem muito sentido. Tanto mais quando se despejam rios de dinheiro em algo que durará algumas horas e não deixará nada de duradouro e relevante na vida dos participantes.

Gosto de celebrar o Natal, porque comemoramos o nascimento do Salvador, daquele que dividiu a história do mundo e mudou e continuando mudando a história de vida de muita gente. Festejo com alegria o Ano Novo, porque é a renovação do tempo, uma dádiva dos céus. Alegro-me muito e sou pleno de gratidão nos meus aniversários, porque é a vida se renovando sobre mim e isso é dom de Deus. Gosto de lembrar da Páscoa, quando a vida triunfou sobre a morte. Também gosto de fazer pequenas celebrações com alguns amigos queridos ao redor de uma mesa, bebericando um bom café forte ou degustando um bom vinho. São festas que fazem sentido, que têm um significado.

Mas continuo sem entender muito bem o propósito das festas de carnaval. Parece haver uma inversão. Se no Natal todos querem estar junto da família, procuram uma igreja, fazem uma prece, derramam uma lágrima de saudade e brindam com alegria e presentes, no Carnaval a palavra de ordem é extravasar e romper com comportamentos comedidos. Se o Natal é festa da conversão, o Carnaval é a festa da inversão.

Sempre me pergunto se não é uma espécie de fuga. Fico pensando se o folião ainda terá alguma razão para se alegrar, quando as luzes se apagarem e ele estiver só. Sim, porque é preciso ter um significado na vida para que haja alegria e contentamento. É preciso saber as razões da euforia, do êxtase, da festa. Senão, tudo se quedará sem sentido e vazio.

Festejar é bom, mas prefiro faze-lo quando sei exatamente o motivo da festa e quando estou rodeado de amigos e pessoas queridas. Deus é aquele que transforma pranto em dança de celebração, porque Ele dá significado a uma vida vazia, Ele enche de esperança um coração abatido, faz brilhar de alegria os olhos de quem já nem queria mais viver.

Festejar é bom, mas hoje, ao refletir sobre essas linhas, busque uma razão que seja perene, duradoura e que faça nascer em você fontes de águas vivas que transbordem para a vida eterna. Isso sim faz sentido.

Márcio Rosa da Silva

Anúncios