Algumas imposições se apresentam na vida de todas as pessoas, independente da religião, cor, origem ou nível econômico. Assim como Deus faz cair a chuva sobre justos e injustos, a vida se impõe a todos. São dificuldades, dores e aflições cotidianas.

A mensagem cristã, em nenhum momento, diz que não sofreríamos mais após termos o nosso coração cheio de fé. Pelo contrário, o evangelho está o tempo todo procurando ensinar os filhos de Deus a lidarem com o sofrimento.

Parece que a bíblia não está muito preocupada em explicar as causas, a origem do sofrimento, porque isto é uma imposição da vida. A preocupação é ensinar como lidar com ele, como lidar com essa imposição inafastável da vida.

Jesus disse que, no mundo, teríamos aflições, mas que tivéssemos ânimo. Disse, também, que são bem-aventurados os que choram, os perseguidos, os que sofrem pela causa da justiça. Ele é o nosso maior modelo para tudo o que fizermos, é a exata expressão do pai, nosso sumo-pastor e nossa inspiração para a vida. Devemos imitá-lo.

E como é que Jesus lidou com as imposições de sua vida? Como Jesus lidava com o seu próprio sofrimento? Com a dureza da vida?

Quando ele foi instado a desistir de enfrentar o calvário usou a metáfora do grão de trigo que, para dar fruto, precisa morrer. Quando disse isso fez uma confissão: seu coração estava perturbado. Mas emendou dizendo: Que farei? Pedirei um livramento? Não, porque para isso vim ao mundo.

Então, aprendemos com Jesus que, quando a vida se impõe não adianta negar ou esconder os sentimentos. Ele reconheceu que estava com o coração perturbado. Negar a aflição e a dor é pior. Atribuir o sofrimento à falta de fé ou ao pecado é um erro.

Jesus não pede que seja livre do sofrimento pelo qual haveria de passar. Sabia que passaria por ele, mas sabia também que o Pai não o abandonaria. Mas nós temos a mania de implorar livramentos de Deus porque não queremos enfrentar aquilo que todo ser humano, mais dia, menos dia, terá de enfrentar: a morte de alguém querido, sua própria morte, dificuldades relacionais, enfermidades, etc.

Temos surtos egoístas e pedimos que Deus se concentre em nossa dor. A dor dos outros não importa, o que importa é que Deus se preocupe comigo e me livre.

Mas não é ser livre da dor que importa. O que importa é como você vai reagir à dor e o tipo de pessoa que você vai se tornar após a aflição. Jesus seria glorificado, mas não seria livre do sofrimento. Ele é o nosso modelo.

Você pode dizer, com toda a razão, que é muito difícil, que é duro demais, que sozinho você não consegue. E tem razão. Talvez você diga: Deus não olha para mim, estou abandonado, ninguém se preocupa com a minha causa. Não, o Senhor não nos abandona, pelo contrário nos dá ânimo e passa pelos vales de dor e sofrimento conosco.

Quando a vida se impõe é necessário descansar em Deus e confiar nele, que nos fortalece, renova as nossas forças para que, lá na frente, sejamos pessoas melhores, mais cheias de fé e do fruto do Espírito Santo.

Márcio Rosa da Silva

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