Estamos para virar mais uma página do tempo. É bom que tenhamos essas divisões do tempo: dias, meses, anos, séculos. Assim a esperança se renova e temos a oportunidade de refletir sobre o tempo. O tempo que passou e o que ainda está por vir.

Essa época do ano é um tempo meio mágico. As pessoas querem ficar mais próximas da família, dos amigos, querem celebrar. Mas o que celebram? Talvez celebrem o próprio tempo e o fato de estarem vivos em mais uma passagem de ano. Afinal, entre tantas perdas, entre tantos que tombaram no decorrer do ano, chegamos a salvo em mais uma virada, mais um ano novo. Somos sobreviventes. Sem dúvida essa é uma razão para festejar.

E o tempo passa de maneira implacável, queiramos ou não. Aconteça o que acontecer, o tempo não pára, independente de qualquer coisa o tempo vai avançando e atropelando a tudo e a todos. Como uma máquina avassaladora que ignora qualquer obstáculo, o tempo vai acontecendo.

Conforme vamos envelhecendo costumamos dizer que o tempo passa rápido demais. Mas não. O tempo passa da mesma forma desde sempre. Nós é que passamos muito rapidamente pelo tempo. O salmista diz que o tempo passa rapidamente e nós voamos. Mas quando não estivermos mais por aqui, o tempo vai continuar passando na mesma cadência de sempre.

Se essa característica do tempo é inexorável, então resta saber o que fazer com o tempo que temos, enquanto o temos. Se não há nenhum poder de decisão quanto ao passar do tempo, podemos decidir o que fazer com esse tempo. Estamos presos no tempo e não podemos fugir dele, mas somos livres para tomarmos decisões quanto aos nossos rumos dentro da implacabilidade do tempo.

Então, em grande parte, cabe a nós mesmos fazer o tempo valer a pena. Se vamos passar a vida em branco ou vamos construir algo que seja relevante e importante na vida das outras pessoas depende de como decidiremos viver.

Eu espero fazer valer a pena, pelo menos vou tentar ser um amigo melhor para os meus amigos, um filho melhor, um marido melhor, quem sabe eu aprenda também a ser pai no próximo ano. Espero escrever mais e melhor, pregar com mais intensidade e paixão, viver com mais alegria e simplicidade. Quero ser um profissional mais aplicado e mais útil à sociedade que me rodeia. Acho que assim estarei trilhando o caminho do Reino de Deus, trazido a nós por Jesus de Nazaré.

Além destas tantas resoluções de fim de ano, quero chegar ao último dia do ano com o coração transbordando de gratidão. Se o tempo é assim tão impiedoso, concluo que a vida é uma dádiva, pela qual devo ser grato, pois a cada novo dia que amanhece, tenho sobre mim renovadas as misericórdias de Deus. 

Márcio Rosa da Silva

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