O ser humano é cheio de pretensões e desejos de onipotência, quer demonstrar poder e superioridade o tempo todo. Não se apercebe que é débil, limitado, fraco, frágil, sua vida não passa de um sopro. A religiosidade televisiva contemporânea, que nada tem de cristã ou evangélica, prega que é preciso ser próspero, saudável e feliz continuamente, nada de mal pode tocar naquele que, segundo a tal religiosidade, é uma pessoa de fé. Essa idéia, repetida à exaustão, só reforça o individualismo, a ganância, o apego ao dinheiro, o anseio por poder, tudo o que a mensagem de Jesus reprova com veemência.

          Deus é soberano e todo-poderoso, não devendo satisfação a ninguém, mesmo assim fez o caminho inverso. Abriu mão de sua onipotência e se fez frágil. No seu amor levado às últimas conseqüências, encarnou, fez-se homem e habitou entre nós. Mas antes de tornar-se homem, Deus se fez menino, criança, nos braços de uma jovem mãe inexperiente, esteve completamente dependente e vulnerável. Esse é o verdadeiro sentido do Natal: Deus conosco, frágil como nós, caminhando conosco, sentindo nossas dores e compartilhando nossas alegrias. Deus humanizou-se. Isso é Natal.

          Habitando Deus na luz inacessível, em cuja presença humano algum resiste vivo, ele abriu mão de sua glória celestial e veio se envolver com nossa humanidade. Veio caminhar pelas estradas poeirentas da Palestina, ouvir o clamor de excluídos e pecadores, perdoar mulheres adúlteras arrependidas e corruptos regenerados, ensinar ricos sobre o novo nascimento, amar pobres e sentir suas misérias, curar enfermos do corpo e da alma, ensinar sobre o amor que pode transformar o mundo e, depois de tudo isso, demonstrar efetivamente esse amor morrendo na cruz.

          O relacionamento com Deus só se faz possível porque Deus se aproxima de nós. Seria impossível nos aproximarmos de Deus em nossa humanidade e debilidade. Deus então nos dá de presente seu único filho: Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós. Em Jesus, Deus se aproximou de nós, quebrou todas as barreiras e abriu o caminho para chegarmos a Ele, sem interpostas pessoas, sem intermediários. Em Jesus o amor deixa de ser substantivo abstrato e passa a ser substantivo concreto. O amor de Deus se fez carne. Um amor levado às últimas conseqüências.

          O Natal é época para celebrarmos esse amor, demonstrarmos gratidão e alegria pela excelente boa nova, uma boa notícia que foi anunciada naquela noite feliz, num lugar esquecido e longínquo, rodeado por simplicidade e amor, Deus se fez presente, se deu de presente, de graça, iluminando esse mundo tenebroso e enchendo-o de esperança de dias melhores no Reino de Deus, que estava chegando através daquela criança. Isso é Natal. Celebremos!

Feliz Natal!

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