O poder é algo fascinante e sedutor. A possibilidade de manipular a vida das pessoas é tentadora. Não é à toa que aqueles que detêm algum poder custam a deixá-lo. Alguns acabam se tornando caudilhos que anseiam se perpetuar no poder, seja ele qual for.

Mas o poder também é perigoso, porque se não for exercido com parcimônia e humildade pode trazer muito mal a quem o exerce e também aos outros. Isso em qualquer nível de poder. Desde o chefe de família que, oprimido fora de casa, vai à desforra com sua própria família, abusando de seu poder para reproduzir a opressão sofrida, até dirigentes de nações que tiranizam o povo. Mesmo sem saber, seguem à risca a cartilha de Maquiavel, segundo o qual, o príncipe deve ser temido e não amado.

O problema é que o medo exclui o amor e também o respeito. Qualquer líder deveria saber que precisa conquistar o respeito de sua equipe (família, time, nação, alunos, paroquianos, empregados, etc.) e não espalhar o terror. O amor, ao contrário, lança fora todo o medo e produz o respeito.

Já ouvi muitos dizerem que o poder muda as pessoas, pois quando investidos dele alguns se tornam arrogantes, presunçosos, ficam irreconhecíveis. Mas ouvi algo mais sábio há algum tempo, nem me lembro o autor da frase, mas é um pensamento muito correto: “O poder não muda a pessoa, apenas revela quem ela realmente é”. O poder desperta sentimentos outrora reprimidos, que, com o exercício de poder, podem ser manifestos. 

Quem tem algum poder corre o risco de se achar melhor, mais importante, menos vulnerável que os outros. Mera presunção. O sentimento de onipotência gerado pelo exercício de poder é enganoso.

Tenho uma sugestão para os aspirantes ao poder, qualquer tipo de poder, religioso, político, econômico: um estágio obrigatório numa UTI de hospital público. Ali, toda presunção humana de poder é ridícula, qualquer sentimento de superioridade é patético. É ali que se percebe como a vida é frágil, como o fôlego de vida ao mesmo tempo em que é um dom divino muito precioso é também fugaz.

Os líderes deste mundo, aqueles que exercem qualquer tipo de poder e autoridade deviam dar uma boa olhada no exemplo de Jesus, que disse que aquele que quer ser o maior, deve ser o menor e servo de todos. Ele não somente disse isso, como o fez, na prática, não foi só retórica. Com isso, conquistou o respeito e o amor de seus liderados, tornando-se o maior líder de todos os tempos. Também por isso pôde dizer aos seus discípulos que não os chamaria mais de servos, mas de amigos.

O mundo carece de líderes que não se deixem enganar com o brilho falacioso do poder, mas que sejam simples, considerando os outros superiores a si mesmo, olhando a vida, a sua e a dos outros, como dádiva divina. Essa prática poderia revolucionar o mundo em que vivemos e é um desafio para aqueles que amam o Reino de Deus.

Márcio Rosa da Silva

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