Acaba de completar cinco anos que escrevo semanalmente na Folha de Boa Vista. Nem eu mesmo me lembrava quando, exatamente, tinha começado a escrever. Revirando papéis antigos (eu ainda não me libertei da mania de guardar papéis, muitos deles inúteis, sempre com a impressão de que algum dia eu precisarei deles) encontrei o jornal amarelado com o artigo “Púlpito ou Palanque?”. Quando olhei a data, me assustei: outubro de 2002.

A mesma reação teve o Jessé Souza quando lhe falei dos cincos: “É a idade do meu filho, cincos anos são uma vida!”, disse o editor-chefe da Folha, que me fez o convite para ser colaborador do jornal. Quando aceitei o convite disse a ele que tentaria escrever sobre assuntos importantes da vida humana, sempre com um olhar cristão. E já se vão cinco anos.

Nesse tempo passei a respeitar mais aqueles que têm como ofício a escrita. Quem escreve expõe seus sentimos mais profundos e se vulnerabiliza publicamente. Sem contar que está sujeito aos mais implacáveis catadores de erros gramaticais. Os meus foram muitos. Tenho dificuldade em produzir um texto por semana e até hoje não consigo entender como o Jessé e outros cronistas conseguem escrever todos os dias. Merecem toda minha reverência.

Em cinco anos foram mais de duzentos artigos em que falei sobre vida com Deus, política, corrupção, relacionamentos, guerra, paz e até sobre trânsito. Expus meus mais íntimos sentimentos, alegria, tristeza, perdas, triunfos. Publiquei também minhas mais profundas inquietações, deixando bem claro que não tenho verdades absolutas, mas sou apenas um aprendiz.

Conquistei alguns bons amigos através desta coluna. Hoje tenho pessoas muito queridas próximo a mim, cujo canal de aproximação foi o jornal. Mantenho contato com pessoas fora do país, que me lêem através da internet. Alguns leitores escrevem dizendo que já riram e choraram lendo um texto meu. Isso é algo extraordinário para quem escreve: tocar o leitor através das palavras. Outros escrevem discordando do que escrevo, alguns com educação e fineza, outros com virulência e descortesia. Isso é desafiador.

Como escritor, ainda estou nos primeiros passos. Fico deslumbrado quando leio as crônicas carregadas de sensibilidade de Rubem Alves, os textos profundos da teopoética de Ricardo Gondim, a poesia tão brasileira de Mario Quintana e de Adélia Prado e, então, vejo como ainda tenho que aprender sobre o sagrado ofício da escrita.

Mas esta é uma caminhada que você, leitor, faz junto comigo. Não sei quantos anos ainda escreverei nesse espaço. No que depender de mim, enquanto vida e saúde tiver, estarei por aqui. Minha gratidão ao Jessé Souza, à Folha, em especial ao leitor que tem estado comigo todo esse tempo. Que muitos anos venham pela frente!

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