Não é incomum sentir um vazio existencial, espiritual ou emocional. Às vezes tenho a impressão de estar atravessando um verdadeiro deserto. A Bíblia é repleta de eventos importantes acontecidos em algum deserto da Palestina. Deserto é um lugar de solidão, sequidão, escassez, vulnerabilidade, desalento.

Estou certo que você já passou por algum deserto assim. Várias pessoas santas, piedosas, tementes a Deus passaram por situações semelhantes. Entretanto, se é certo que a Bíblia nos alerta que passaremos por desertos, também é certo que estes desertos florescerão.

Quando o Senhor Jesus disse que “neste mundo vocês terão aflições”, ele está alertando para eventuais desertos. Entretanto, ele emenda dizendo: “mas tenham bom ânimo, eu venci o mundo”. Na solidão do deserto, o Senhor é o socorro bem presente na angústia, que está conosco todos os dias até a consumação dos séculos. Não estamos sós. Na sequidão, o Senhor é a fonte de água viva que sacia o sedento no mais causticante deserto. No desalento, o Senhor é a voz que dá esperança, como quando o profeta Elias teve medo, foi para o deserto, mas lá ouviu a doce voz de Deus, numa brisa suave. 

Deserto é um lugar de encontro. Encontro com Deus e consigo mesmo. Com nossa humanidade e com a grandeza de Deus. Deserto é um lugar de amadurecimento, de firmar nossos valores, nossas convicções. Lugar de amadurecer nossa fé, descansando de maneira inabalável no caráter de Deus.

Deserto é um lugar em que descobrimos verdadeiros amigos, desmascaramos os falsos amigos e estabelecimentos relacionamentos íntegros. Deserto é um lugar de aprendizado. Aprendemos a depender de Deus, a confiar, esperar em Deus e sermos direcionados por ele.

Mas a promessa é que um dia os desertos florescerão. Por mais que você esteja passando por um deserto, por mais que pareça longo e interminável, a promessa é que eles se tornarão um grande e agradável jardim. É o que diz a Bíblia em Isaías 35.1-2: “o deserto e a terra ressequida se regozijarão; o ermo exultará e florescerá como a tulipa; irromperá em flores, mostrará grande regozijo e cantará de alegria”.

Posso citar ainda promessas que dão força ao cansado e dão ânimo àquele que está a ponto de desistir: “O choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria” (Salmo 30.5); “Mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria, para que o meu coração cante louvores a ti e não se cale” (Salmo 30.11).

Mesmo estando no deserto, se há uma promessa de livramento é preciso haver ânimo, coragem e não desânimo. É preciso fortalecer as mãos cansadas, firmar os joelhos vacilantes. Aprender a descansar nas promessas e dissipar o pessimismo.

Que estas promessas nos inspirem a crer que nossos desertos florescerão.

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