A idéia de reino para nós, que vivemos no século XXI, num país ocidental e num regime democrático, é algo muito distante e, certamente, bastante retrógrado. Quando se fala em rei, imaginamos logo aquele reino medieval, um tirano absoluto e todos submetidos, forçadamente, ao senhorio daquele rei.

Entretanto, Jesus vem e diz: “o Reino de Deus já chegou e está perto de vocês”. Para entender o que isso pode significar a nós nos dias atuais é importante compreender o contexto histórico da época em que Jesus usou tal expressão. Quando se falava em reino, naquela época, todos entendiam, era algo comum. Era uma ilustração bem clara e entendível, em especial porque os valores desse Reino de Deus eram bem diferentes dos do reino dos homens, como o Império Romano, por exemplo. Então não seria difícil fazer a comparação:

No reino de Roma, felizes os fortes e valentes. No Reino de Deus, felizes os mansos e misericordiosos. No reino de Roma, felizes os espertalhões e trapaceiros. No Reino de Deus, felizes os puros de coração. No reino de Roma, felizes os que têm poder para perseguir opositores. No Reino de Deus, felizes os perseguidos por causa da justiça.

Esse Reino de Deus é uma metáfora para a idéia que fazemos de céu. Não o céu físico, mas o céu onde Deus habita. Deus habita no céu. Deus habita no seu Reino. Então o Reino de Deus é o lugar da habitação de Deus. Assim podemos concluir que realmente o Reino de Deus já chegou e está perto de nós, por que Deus se fez carne e habitou entre nós, através de Jesus.

Brian D. Mclaren no excelente livro “A mensagem secreta de Jesus”, traz outras metáforas possíveis para o mesmo significado de Reino de Deus. Tal Reino poderia ser comparado ao “Sonho de Deus”, ou seja, a vontade de Deus, o desejo de Deus a ser cumprido na vida das pessoas, o que justifica a expressão “seja feita a tua vontade”, contida na oração modelo, ensinada por Jesus. Deus tem o sonho, o desejo, que todos vivam neste Reino e abracem os valores desse Reino, tão claramente explicados no célebre sermão da montanha.

Poderia também ser chamado, tal Reino, de “A revolução de Deus”, em que a opressão, a injustiça, a corrupção, o racismo, tudo isso era banido, mas sem armas, sem guerra, sem violência. Seria uma revolução de amor, misericórdia, perdão e justiça. Se as pessoas levassem a sério o que Jesus disse e cumprissem o que ele ordenou acerca de amar o próximo como a si mesmo, oferecer a outra face, andar a segunda milha, amar a Deus sobre todas as coisas, buscar o Reino de Deus e sua justiça, tudo seria diferente. A impressão que tenho é que muitos ignoram solenemente o que Jesus disse.

Poderia ainda, ser comparado a uma “Festa de Deus”, para a qual todos são convidados, indistintamente, sem acepção, pois Deus não é seletivo, aceita a todos igualmente. A única coisa a ser feita para participar desta festa é aceitar o convite. Não foi à toa que Jesus, em algumas ocasiões, comparou o Reino de Deus a banquetes, festas e bodas. Então o convite está feito para que se abandone uma existência sem propósito, uma vida aprisionada por vícios e oprimida por culpas, para participar de uma grande festa em que Deus se alegra junto com seus filhos que, espontaneamente decidem viver com Ele e para Ele. Isso é Reino de Deus.

parecer uma ilusão, uma utopia, acreditar que o Reino de Deus pode ser implantado aqui nesta terra e que nós, humanos falhos e limitados, podemos ser cooperadores de Deus nesta empreitada. Mas tenho aprendido com Jesus que todas as coisas são possíveis para aquele que crê. Em uma época em que se prega que se deve “exercitar” a fé para conseguir isso ou aquilo, ficar rico e etc., eu prefiro exercitar minha fé para crer que uma revolução silenciosa pode estar acontecendo e que o Reino de Deus está próximo! Tudo é possível ao que crê!

Márcio Rosa da Silva

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