Quem nunca duvidou? Quem nunca teve momentos de fraqueza, no qual sentiu a fé esvaindo-se de seu coração? Quem é que nunca teve medo em meio a duríssimas provas e terríveis sofrimentos?           

Algumas pessoas já me procuraram com um enorme peso na consciência porque haviam duvidado acerca do cuidado de Deus. Porque não conseguiram confiar plenamente na Providência Divina. Ou até porque não conseguem compreender mesmo a grandiosidade de Deus, seu amor inexplicável, sua Graça que garante salvação sem nenhum preço a ser pago. Ainda alguns duvidam da bondade de Deus, questionando a razão de tanto sofrimento no mundo. Antes de me aventurar a querer explicar todos esses grandes questionamentos às pessoas, procuro informa-las que elas não são as únicas a duvidar. Que outros homens e mulheres que serviram a Deus com sinceridade, em algum momento também duvidaram. O ser humano é assim. Isso as deixa mais tranqüilas e mais livres para firmar sua fé em Cristo Jesus com calma, através de uma intimidade e de um conhecimento crescentes, até chegar à maturidade, com uma fé inabalável. Essa é uma longa caminhada. Mas vale a pena.           

A dúvida é necessária ao pensamento humano. Ela é o que impulsiona cientistas das mais diversas áreas à pesquisa. Que faz o filósofo se aprofundar em seus questionamentos e que conduz o teólogo a investigar as Sagradas Escrituras para firmar suas idéias, seus conceitos acerca do caráter e dos atributos de Deus, seu entendimento sobre soberania divina, livre arbítrio, justiça, etc. Se ninguém duvidasse de nada, a pesquisa, o debate e o interesse pelo conhecimento seriam completamente inócuos. Portanto, use sua dúvida para conhecer ainda mais a Deus.           

Penso que umas das passagens bíblicas que mais demonstram a humanidade de uma pessoa, sem medo de ser reprovado pelo Senhor, é a do homem que tinha um filho endemoninhado e que foi até Jesus para que Ele libertasse o menino. Aquele homem disse ao Senhor que se Ele pudesse fazer alguma, que libertasse o garoto. Jesus respondeu: “tudo é possível ao que crê”. Aí então vem a resposta mais que humana daquele homem: “Senhor, eu creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade” (Marcos 9.24). Ele cria, mas tinha momentos de dúvidas. Nada melhor que pedir ajuda do alto para vencer a falta de fé.           

Pedro, quando viu Jesus caminhar sobre as águas, foi ao encontro do Senhor, também caminhando sobre o mar. Mas quando deixou de olhar para Jesus e começou a reparar no vento e no mar bravio, duvidou e começou a afundar. Afundando ele gritou: “Senhor, salva-me!”. Jesus imediatamente lhe estendeu a mão e o repreendeu: “Homem de pequena fé, por que você duvidou?” (Mateus 14.30-31). Pedro foi repreendido, mas foi socorrido pela forte mão do Senhor no momento em que mais precisava, o da dúvida.           

Tomé virou sinônimo de pessoa incrédula, porque só acreditou na ressurreição do Senhor quando viu Jesus diante dele e pôde toca-lo. Foi também exortado pelo Senhor: “Pare de duvidar e creia”. Depois disso, Tomé foi responsável por uma das mais fortes declarações bíblicas: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20.27-28).           

Como se percebe, são vários os exemplos de pessoas que duvidaram em momentos importantes. Digo a você, que como eu, também tem seus momentos de dúvida: 1) peça sempre para o Senhor ajuda-lo a vencer sua incredulidade, você não vai ser julgado por isso, mas ajudado; 2) quando você estiver afundando por causa da dúvida e das circunstâncias, grite como Pedro: “Senhor, salva-me”, a mão do Senhor não estará encolhida, você será amparado por Ele; 3) não espere ver ou tocar o sobrenatural para crer, não seja incrédulo como Tomé, creia sem que seja necessário ver um milagre acontecendo, os que fazem assim são chamados pelo Senhor de bem-aventurados (João 20.29).           

Se você fizer assim, vai perceber que sua fé vai amadurecendo com o tempo e, ao longo de sua caminhada com Deus, você vai aprender a descansar, se render e se lançar sem medos nos braços do Pai.

Márcio Rosa da Silva

Anúncios