“Que é a vida de vocês? É como uma neblina, que hoje está aqui e daqui a pouco não vê mais.” Com essas palavras Tiago, o escritor da epístola bíblica, alerta para a brevidade da vida dizendo que ela é tão fugaz quanto uma neblina, que logo desaparece. De fato, a vida é frágil, é rara.

Quando a saúde está boa e tudo transcorre dentro de certa normalidade em nossa vida, não costumamos pensar nessas verdades inexoráveis. Mas quando perdemos um amigo que num dia está bem, esbanjando saúde, e no outro já não vive mais, entramos em choque. A realidade nos esbofeteia e impõe o terror que assola todas as famílias da terra: somos mortais, a vida passa rapidamente, perderemos pessoas amadas.

Nando Reis demonstra essa mesma inquietação com a vida nos seguintes versos da música “Por onde andei”: “Amor eu sinto a sua falta/E a falta é a morte da esperança/Como um dia que roubaram seu carro/Deixou uma lembrança/Que a vida é mesmo coisa muito frágil/Uma bobagem uma irrelevância/Diante da eternidade do amor de quem se ama/Por onde andei enquanto você me procurava/E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada.”.

Então, uma coisa é fato: a vida é breve. Uma vez que isso é aceito o questionamento mais importante a fazer é: “O que eu tenho feito da minha vida?”. Só assim podemos perceber que o mais importante não é a quantidade de tempo que vivemos e sim COMO vivemos. Como tenho encarado a vida? Quais são minhas atitudes para comigo e para com os que me rodeiam? Tenho feito as escolhas certas e tomado as decisões mais adequadas? Será que ajo como quem tem consciência que a vida é frágil, rara e breve?

Percebo que há pessoas que criam problemas por questões envolvendo detalhes, pequenas coisas. Por orgulho e soberba desejam impor-se sobre as demais pessoas, querem ser tratados de modo diferenciado e realmente se acham melhores que os outros. Querem que respeitem seus títulos, seu dinheiro, seu poder. Outras vão corroendo a própria vida com mesquinharias, amarguras, egoísmo. Diante de um túmulo, tudo isso cai por terra. Sentimo-nos diminutos diante da eternidade e da imprevisibilidade da vida. Hoje estamos vivos, amanhã não sabemos. Diante de uma sepultura para que servem poder, dinheiro e títulos. Todos somos iguais.

Precisamos viver dando valor ao que realmente é importante: o sorriso do amigo, o abraço afetuoso da mãe, o carinho às vezes meio sem jeito do pai, a alegria festiva da esposa, a dor e a doçura de viver em comunidade, as lindas lembranças do passado e dos que já se foram, o milagre da vida que se renova nos filhos e, principalmente, o amor incansável, incomparável, imensurável e paternal de Deus.

Temos de agir assim hoje mesmo e viver intensamente este dia, que o Senhor já nos deu de presente, renovando nossa vida. Sérgio Britto ensino isso poetizando na canção “Epitáfio”: “Devia ter amado mais/Ter chorado mais/Ter visto o sol nascer/Devia ter arriscado mais/E até errado mais/Ter feito o que eu queria fazer/Queria ter aceitado/As pessoas como elas são/Cada um sabe a alegria/E a dor que traz no coração (…) Devia ter complicado menos/Trabalhado menos/Ter visto o sol se pôr/Devia ter me importado menos/Com problemas pequenos/Ter morrido de amor/Queria ter aceitado/A vida como ela é/A cada um cabe alegrias/E a tristeza que vier.”.

A vida é breve. Se Tiago falou que é como uma neblina, podemos fazer nossa vida valer a pena se formos, como bem já disse o poeta Walber Aguiar, pelo menos um sereninho de Deus na vida das pessoas.

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