Nós temos a tendência de reduzir a mensagem de Jesus para aquilo que diz respeito somente a nossa vida individual, como se a fé cristã se resumisse a alguns devocionais diários (orar, ler a bíblia, jejuar de vez em quando). Creio que tais práticas devem fazer parte da fé cristã, mas muito ela é mais do que isso. Jesus sonhou com um outro mundo possível.

Será que a mensagem de Jesus não deve atingir o indivíduo para, a partir do indivíduo, atingir também o mundo? Será que esta mensagem também não é relevante para as questões que envolvem o relacionamento entre as nações, a prática das grandes corporações e como lidar com o meio-ambiente? Será que não estamos tão preocupados em resolver nossos próprios problemas que amesquinhamos a mensagem esquecendo que também diz respeito às grandes questões da humanidade e com a possibilidade de um outro mundo possível?

A mensagem do Evangelho é simples, mas não é simplória ou simplista. Ela é grandiosa e transformadora. Como diz Brian D. Mclaren, no livro “A Mensagem Secreta de Jesus”: “Não se trata de tentar fazer com que sua grandiosa mensagem caiba por completo dentro de mim, mas de tentar me colocar por inteiro dentro da mensagem de Jesus.”

Qual é a base para eu afirmar que Jesus sonhou com um novo mundo possível? Ora, o que ele disse não se reflete apenas na minha vida individual e nos meus momentos devocionais, também não se reflete apenas numa vida espiritual futura, após a morte, mas são verdades que mudariam o mundo presente.

São verdades desconcertantes. Tanto é, que ficamos desconcertados ao sermos confrontados com essas verdades. Parece que Jesus queria que vivêssemos o Reino de Deus já aqui, de modo que após a morte seria apenas uma continuação. É por isso que ele diz: “O Reino de Deus é chegado”, ou, “o Reino de Deus está próximo de vocês”.

Estas verdades transformadoras são práticas que se esperam de todo cristão:

Por exemplo, a cultura da não violência: “Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.” Ou “Disse-lhe Jesus: Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão.” Ou, ainda, “Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, abençoem os que os amaldiçoam, orem por aqueles que os maltratam.”

O exemplo de humildade: “Mas vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa, como o que serve”.

A exortação para amar a Deus e às outras pessoas: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo.”

Essas são algumas práticas que poderiam transformar o mundo. São difíceis, mas não impossíveis. Um outro mundo é possível.

Veja que são questões que dizem respeito ao meu relacionamento com o outro, não é algo que se faça sozinho, mas uma PRÁTICA para com o outro. E são práticas esperadas de todos, em especial daqueles que dizem ter fé naquele que proferiu tais palavras: os cristãos.

O mundo poderia ser transformado por essas verdades, por estas práticas. Talvez não consigamos mudar o mundo inteiro, mas podemos fazer uma revolução no âmbito no nosso círculo de influência. Imagine isso na sua família, com seus amigos, no seu trabalho, na sua empresa, na sua sala de aula, na sua igreja. Isso é o começo da revolução proposta por Jesus: algo que começasse nos relacionamentos dos discípulos para então alcançar o mundo inteiro.

Teremos falhado caso nossa fé seja apenas retórica. Se não houver prática, nossa fé será morta, sem valor algum. Se a praticarmos, um outro mundo será possível.

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