O contato com o sobrenatural sempre fascinou o ser humano. Desde tempos imemoriais o homem quer ter experiências com o sagrado, tanger o mundo espiritual, ter vislumbres com uma dimensão transcendental. Moisés, aquele que liderou a retirada do povo de Israel do jugo do Egito, teve inúmeras experiências com Deus. Ele viu um arbusto queimando sem se consumir e dali ouviu a voz de Deus e foi chamado para sua grande missão. Depois disso ouviu a voz de Deus várias outras vezes. Mas, ainda assim, houve um momento em que ele pediu para ver a glória de Deus, queria vê-lo face a face. Claro que isso não foi possível, pois é impossível ver a face de Deus e permanecer vivo. A glória de Deus é indizível. Ele viu o Senhor pelas costas, num evento que a teologia chama de teofania (assunto para os aficionados em temas obscuros da teologia).

            Sentir, presenciar apenas uma pequena porção da presença de Deus já é desconcertante. Quando Pedro viu a transfiguração de Jesus, ocasião em que apareceram também Elias e Moisés, ele perdeu o prumo e falou algo completamente sem sentido, sugerindo a construção de três tendas naquele lugar. Paulo teve um encontro pessoal e visível com Jesus glorificado. Ficou três dias sem enxergar e demorou se recuperar do impacto.

             Então como é possível ter um encontro verdadeiro com Deus? Como ter um contato com a presença de Deus sem ser consumido, já que a Bíblia diz que Deus é fogo consumidor? Bem, é aí que percebemos o quanto Deus se fragilizou e se limitou para se relacionar conosco. Seria absolutamente impossível para o ser humano se relacionar com Deus se Ele não se diminuísse e chegasse até o nosso nível. Ele abriu mão de seu imenso poder para dar-se a conhecer a nós, criaturas dEle, que Ele quis transformar em filhos.

             Isso ocorreu de forma radical em Jesus, quando Deus se fez homem e habitou entre nós. Em Jesus, Deus andou entre nós, sentiu nossas dores, compartilhou de nossas misérias, curou enfermos, fez o bem a todos, reprovou duramente os hipócritas, deu esperança aos pobres de espírito, aos que choram, aos injustiçados. Mas, além disso, Jesus fez uma promessa que revolucionou o pensamento religioso de então. Ele disse que se alguém o amasse, Ele e o Pai, que está no céu, viriam para dentro do coração desta pessoa e faria nele morada. Ou seja, Deus viria habitar dentro da pessoa. Até então, a idéia era sempre a de ir para um lugar sagrado para chegar até a presença de Deus. Mas Deus é tão radical, tem um amor tão indomável e quer tanto se relacionar conosco, que Ele prometeu que não precisaríamos mais ir a algum lugar especial para chegar à presença de Deus. Agora Ele viria até o nosso coração e moraria em nós.

             O templo agora somos nós. Deus habita em nós. Agora adoramos a Deus em espírito e em verdade. A assombrosa presença de Deus, do Deus do Universo, que é maior que o Universo, se faz acessível e repousa em nosso coração.

             Deus soberanamente se limitou, escolheu nos amar e se aproximar de nós e se deu a conhecer a quem desejar conhecê-lo. A única coisa que precisamos fazer é querer, é aceitar a presença dEle e pedir: faz teu tabernáculo em mim, faz tua morada em mim. Seu coração será morada do Altíssimo.

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