As notícias de brutalidade e violência têm sido recorrentes na mídia. Entretanto, percebo que está havendo um recrudescimento. Os crimes estão cada vez mais terríveis e chocantes. Um menino é arrastado por quilômetros, uma garotinha de um ano e meio é estuprada e estrangulada, uma criança de onze anos é estrangulada, morta barbaramente e depois tem o corpo violado. É muita violência. Os jornais, na TV e impressos, só têm notícias sanguinolentas. Ficamos a imaginar se as pessoas que cometeram tais crimes são mesmo humanas, se têm algum sentimento de compaixão e misericórdia.

            O que está acontecendo com a humanidade, que consegue produzir tantas coisas belas e admiráveis, mas também produz tanto horror e tristeza? Quanta dor produzida na vida das vítimas e de seus familiares. São famílias que serão eternamente amputadas. A dor vai arrefecer com o tempo, mas terão o coração sempre dolorido com a perda de modo tão violento. A morte nunca é algo aceitável, nestas condições torna-se um suplício.

            Por outro lado, a reação da população nem sempre é a mais adequada. Tudo o que está acontecendo deveria despertar nas pessoas um sentimento de indignação, de revolta até, mas que redundasse em ações civilizadas de protesto. No caso da criança de onze anos morta aqui
em Boa Vista, populares lincharam um dos acusados, que veio a morrer, conforme se noticiou. Outro suspeito foi violentado por quarenta homens na cadeia, também conforme noticiado na imprensa. São reações tão irracionais e animalescas quanto o crime cometido anteriormente. Um erro não justifica outro. Já virou chavão dizer que violência gera violência. Gera-se um ciclo sem fim.

            Estamos embrutecendo. O passar do tempo deveria fazer-nos mais civilizados e humanos, mas quando reações como estas são tomadas há uma involução, o retorno ao tempo da vingança privada, já superado há muito e que faz, ou deveria fazer, parte do passado. A justiça com as próprias mãos é sempre injusta. Nós nos resignamos quando deveríamos cobrar das instâncias próprias, os poderes constituídos, que cobram altíssimos impostos sem a devida contraprestação. A despeito disso descarrega-se violência sobre suspeitos, executando-os sem o devido processo legal. Mais uma vez repito: um erro não justifica outro.

               Se não reagirmos de maneira civilizada, a violência só vai aumentar. O ciclo sangrento nunca vai se quebrar. Para os cristãos a orientação bíblica é clara: “não paguem o mal com o mal, mas vençam o mal com o bem”. Cabe aos que se dizem cristãos denunciar o erro e praticar o bem. Então é preciso se indignar com a violência e com os violentos, mas também contra aqueles que se omitem e deixam toda uma juventude largada à própria sorte, sem nenhuma perspectiva, com acesso fácil às drogas e ao álcool, tornando-se presa fácil para o cruel mundo da criminalidade. Alguma diferença temos de fazer, senão seremos sal que não salga e se não salga só serve para ser jogado fora e pisado pelos homens.

            O cristianismo deve ser uma resposta de paz para um mundo imerso em violência e desesperança. Um alento para vidas que foram destroçadas pela tragédia e uma possibilidade de transformação para aqueles que se tornaram violentos.

            A violência embrutece as pessoas, o cristianismo, ao contrário, nos torna mais humanos e sensíveis, porque nos exorta a nos espelharmos em Jesus, Deus que se fez humano e habitou entre nós.

Márcio Rosa da Silva

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