Não, querido leitor, não sou daquele tipo “desmancha prazeres”, que faz questão de esculhambar o carnaval e os foliões e condená-los ao fogo do inferno. Meu razoável grau de civilidade não me permite isso. Mas algumas questões podem ser levantadas para refletirmos nessa época.
Em primeiro lugar, nunca conseguiram me explicar direito a origem e o propósito da festa. Tudo bem, se a origem se perdeu e já não encontra nenhuma relação como que a festa significa hoje, mas me digam, por favor, qual é o motivo da festa, o que está sendo comemorado? Ninguém sabe.
Segundo, que o carnaval do Rio de Janeiro seja um espetáculo grandioso, com suas escolas de samba que envolvem toda uma comunidade local, com patrocínios declaráveis e outros nem tanto, ninguém duvida. Como também ninguém questiona que é uma tradição centenária, arraigada na cultura daquele local. Agora, será que desfile de escola de samba faz parte da cultura amazônida? Nossa cultura é outra e nossa produção artística segue em outra direção.
Também não consigo digerir a idéia de que se gasta uma fortuna em dinheiro público, conforme noticiado na imprensa local em mais de meio milhão de reais, para financiar um evento em que uma parcela pequena da população vai participar. Meio milhão de reais poderia fazer muita diferença na vida de crianças vitimizadas, famílias hipossuficientes e idosos desamparados. Ressalte-se que se trata de dinheiro público, ou seja, de todos nós, da sufocante carga tributária que pesa sobre os ombros de todos nós. Se cada folião pagasse sua parcela da festa para financiá-la, tudo bem, mas é dinheiro público.
Se perguntássemos para a população em geral, quem gosta do carnaval (não do feriado – desse todos gostamos – mas da festa em si), creio que menos de um quarto das respostas seriam positivas. O país inteiro pára por cinco dias, mas a maioria não está nem aí para o propósito da festa.
E eu ainda faço um outro questionamento. Gosto de uma boa festa, com alegria, gente bonita e música de bom gosto (meu bom gosto, evidentemente), mas sei que minha maior alegria não pode se restringir a momentos de euforia e festa. E você? Sua alegria está restrita a momentos de festas, bebedeiras, folia, etc.? Quando toda a festa acabar, quando as luzes se apagarem e você estiver só, qual será a verdadeira razão de sua alegria? Quando você não tiver mais ninguém ao seu redor, quando a música parar, quando o efeito da bebida passar, ainda restará uma alegria perene em seu coração?
Queira você admitir ou não, existe uma sede no seu ser que nem a melhor bebida pode saciar, existe uma fome existencial que banquete nenhum pode fartar, há uma busca por uma alegria que festa nenhuma pode suprir, é a busca da nossa alma por um relacionamento com Deus. Isso, somente Jesus, Deus feito homem, pode realizar. Essa nossa vida breve e sem sentido, só encontra descanso, segurança e rumo, quando nosso coração repousa, satisfeito, em Jesus.
Depois dos festejos, na quietude de sua solidão, quando você estiver sozinho consigo mesmo, procure lá no íntimo do seu ser, no âmago da sua alma, a verdadeira razão da sua alegria. Se Jesus não estiver lá, corra para os braços dele cheios de graça, misericórdia e alegria.

Márcio Rosa da Silva
Boa Vista-RR – 16.02.07

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