Foi estranho ver a Teologia da Prosperidade ser mencionada como manchete no Fantástico (14/01/07), na matéria que explicava que ela é a espinha dorsal de uma grande denominação evangélica, cujos fundadores foram presos nos Estados Unidos ao tentarem entrar com dólares não declarados e escondidos até dentro da Bíblia. Emblemático. Há muito venho pregando contra tal aberração, assim como outros tantos pastores que não têm o espaço na mídia que os autodenominados apóstolos e bispos da prosperidade têm.

            Há tempos venho afirmando através de textos e pregações que aquilo que esse pessoal prega não é evangelho. Infelizmente, pela superexposição através de verdadeiros impérios de telecomunicações, quando se fala em “igreja evangélica” as pessoas associam imediatamente ao que vêem na TV: exorcismos grotescos, promessas de ter todos os problemas resolvidos mediante polpudas ofertas, pastores mercenários, pessoas facilmente manipuláveis, jargões de auto-ajuda, etc.

            Como não me identifico com nada disso, não faço parte desse movimento. Se ser evangélico é ser colocado no mesmo balaio de gente que crê e pratica tais coisas, se é ser identificado com mercenários que carregam malas voadoras com milhões de reais e bíblias recheadas de dólares não declarados, então eu estou fora.

            Não vou mais aceitar rótulos, não quero ser “evangélico”, muito menos “gospel”, almejo ser cristão. Quero viver a simplicidade humana do Evangelho de Jesus Cristo.

            A mensagem que incita as pessoas a enriquecerem sem esforço e a serem gananciosas não encontra respaldo nas Escrituras, muito pelo contrário. Eis o que Paulo, apóstolo de verdade, escreve a Timóteo: “De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1 Tm 6.6-10). Parece que o casal exposto no Fantástico está descobrindo a verdade contida nesse texto bíblico de uma maneira terrivelmente dura. Pelo menos eu espero que estejam.

            Quero pregar e viver a mensagem da Graça, da humildade, centrada na cruz e na liberdade que há em Cristo Jesus. Quero ser um eterno aprendiz de Deus e de sua palavra. Quero ser cristão. Pelo menos estou tentando.

 

Márcio Rosa da Silva

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