Já é possível contemplar o alvorecer de um novo ano, estamos nas derradeiras horas de 2006. No crepúsculo desse ano que se finda é impossível não fazer reflexões sobre o tempo que passou e prognósticos sobre o que virá. Gosto deste período do ano, sinto algo mágico no ar.            

Sinto-me um privilegiado, um sobrevivente, estou rompendo mais um ano. É, meu caro leitor, quantas coisas poderiam ter acontecido, quantos livramentos tivemos, de quantas escapamos para que chegássemos com vida ao último dia do ano. No primeiro minuto de um ano novo sou sempre invadido por um sentimento de gratidão e expectativa. Gratidão pelo que passou e um friozinho no estômago pelo que virá.            

Bem, fazendo uma análise do ano que está terminando, não sei se teríamos grandes coisas para nos alegrar. O meio político brasileiro mostrou sua verdadeira face como poucas vezes na história. Organizações criminosas espalharam o terror nas maiores cidades brasileiras. Um grande avião caiu e a crise na aviação civil se instalou. O Estado brasileiro abocanha quase quarenta por cento de tudo o que produzimos e o retorno não é equivalente. No cenário externo, o derramamento de sangue continua no oriente médio, países árabes e em parte da África, tudo em nome de Deus, é claro.            

Será que há razão para se ter esperança? Creio que sim. O profeta Jeremias, conhecido pela sua sensibilidade e pelas suas muitas lágrimas e lamentos, enquanto se derramava em prantos, lembrou-se que ainda havia motivos para ter esperança. Disse ele: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança: As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim. Elas se renovam a cada manhã, grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22-23). Ele se lembrou que ainda havia esperança e que o alvorecer de um novo dia já é a prova da fidelidade de Deus e de suas misericórdias.           

No romper de um ano novo, as misericórdias do Senhor estão sendo renovadas sobre a nossa vida. Preciso reconhecer isso, e ser grato. Preciso celebrar mais um tempo de fôlego de vida que me é dado. E por isso quero aproveitar ainda mais as oportunidades que me forem oferecidas. Quero amar ainda mais as pessoas que me são caras e aprender a amar também aquelas que ninguém mais quer amar, os desamparados, marginalizados e excluídos.  Quantas manhãs sorrirem para mim, quero sorrir de volta e viver intensamente aquele dia, como se fosse o último. As misericórdias do Senhor se renovaram, não posso desperdiçar nenhum minuto.            

Em todo tempo quero esperar no Senhor, prosseguir em conhecê-lo (quão pouco o conheço!), desfrutar do Seu amor e Sua graça. Quero também aprender a refletir esse amor, espalhar essa graça e ensinar, com entusiasmo, que Ele é misericordioso e bom.            

Se o retrospecto do ano que se finda não é tão favorável a você, não desanime, somos feitos de frustrações e sucessos. Fuja do triunfalismo que nega a fraqueza humana. O poder de Deus se perfaz na fraqueza. Tenha maturidade para elaborar suas frustrações, quedas e fracassos. Mas, em todo o tempo, traga a sua memória o que pode te dar esperança: as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, e elas se renovam a cada manhã, e a cada ano novo também… Tenhamos esperança, sempre!           

Feliz 2007!

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