Será que é possível conhecer a Deus? Esta indagação é tão antiga quanto à própria humanidade. É mais antiga que a indagação filosófica, que de modo algum é antagônica àquela, já que a atitude filosófica, segundo Marilena Chauí, leva a perguntas “sobre a essência, a significação ou a estrutura e a origem de todas as coisas.” Tais questionamentos levam, inevitavelmente à indagação teológica. Existe um Deus? Onde ele está? Como conhecê-lo? Como se relacionar com ele?
Tomás de Aquino entendeu que ambas as indagações (teológica e filosófica) podem andar juntas, porque, para ele, o conhecimento de Deus é o “mais alto cimo ao qual a investigação humana pode chegar”.
Esse desejo de conhecer Deus também está presente no coração de alguns poetas, como Castro Alves, que no poema “Vozes d’áfrica” clama: “Deus! ó Deus! Onde estás que não respondes?”. Um poeta mais recente, chamado Renato Russo, também põe seu coração a clamar, na música “Índios”: “Quem me dera, ao menos uma vez, entender como um só Deus ao mesmo tempo é três. E esse mesmo Deus foi morto por vocês. É só maldade então deixar um Deus tão triste”.
É natural desejar conhecer a Deus, ainda que alguns neguem esse desejo. Entretanto nenhuma pessoa jamais terá todo o conhecimento sobre Deus, porque Ele é infinito e a infinitude é inexprimível. Sempre teremos algo a mais de Deus para conhecer. Mesmo na eternidade, jamais conheceremos a Deus completamente, porque, senão, Ele seria finito. Passaremos a eternidade conhecendo a Deus e sempre haverá algo novo para conhecer.
Agostinho, em suas Confissões, reconhece a infinitude de Deus, seu assombro ante os atributos dEle e sua incapacidade em descrevê-lo:
“O que és, portanto, meu Deus? (…) Ó altíssimo, infinitamente bom, poderosíssimo, antes todo-poderoso, misericordiosíssimo, justíssimo, ocultíssimo, presentíssimo, belíssimo, fortíssimo, estável e incompreensível, imutável que tudo muda, nunca novo e nunca antigo, (…) sempre em ação e sempre em repouso, recolhendo e de nada necessitando, carregando, preenchendo e protegendo; criando, nutrindo e concluindo; buscando ainda que nada te falte. Amas, e não te apaixonas; tu és cioso, porém tranqüilo; tu te arrependes sem sofrer; entras em ira, mas é calmo; mudas as coisas sem mudar o teu plano; recuperas o que encontras, sem nunca teres perdido (…)
Mas que estamos dizendo, meu Deus, vida da minha vida, minha divina delícia? Que consegue dizer alguém quando fala de ti?”
Essa ânsia só é satisfeita quando o indagador, buscador de Deus, olha para a exata expressão da divindade, a plenitude de Deus, o Emanuel – Deus conosco, chamado Jesus. Deus se humanizou e se deu a conhecer a todos em Jesus. Através de Jesus, Deus estava tornando o seu amor palpável, concreto. Em Jesus, o amor de Deus é substantivo concreto, não mais abstrato.
Deus veio se envolver com sua criação. Sentir nossas dores, nossas limitações e morrer morte de cruz, para nos redimir, nos resgatar do pecado. Com seu sangue nos purificar de todo o pecado.
Em Jesus podemos contemplar Deus. Somente através de Jesus podemos chegar a Deus, Ele é o único mediador entre Deus e os homens, ninguém mais. Através de seu sacrifício temos ousadia para entrar na presença de Deus, sem interpostas pessoas. Sem sacerdotes, sem mediadores, apenas através de Jesus.
Ouse, portanto, conhecer a Deus!

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