Os enólogos certamente não devem concordar com o título desse texto. Geralmente os vinhos mais velhos são melhores, porquanto apurados pelo tempo. Entretanto há um episódio relatado no Evangelho de João, em que o vinho recém-fabricado era muito melhor que o antigo. Todos conhecem a história das Bodas de Caná, onde Jesus transformou água em vinho. A festa ainda acontecia quando o vinho acabou. Seria uma ignomínia para família deixar faltar vinho no meio da festa, um duro golpe na reputação dos anfitriões. Jesus então transforma água em vinho. Ao ser servido, especialistas de plantão confirmaram: aquele era o melhor vinho. Estranharam o fato de ser servido já na segunda metade da festa. F.F. Bruce esclarece que “era tão familiar que era quase proverbial, servir primeiro o melhor vinho e depois o de qualidade inferior. É natural, no início da festa os sentidos estão mais apurados, as pessoas estão mais observadoras. Do meio para o fim, entre um vinho e outro, os sentidos vão-se tornando menos apurados e então, serve-se o vinho inferior. Na dita festa ocorreu o contrário”. Jesus salvou a festa.
O simbolismo do evento e o que ele representa para nós vai muito além do milagre ocorrido naquela festa. Temos que aprender que o que Jesus fez em nós também foi uma transformação da água para o vinho, como diz o ditado. Uma mudança de mente e coração. Nossos corações e mentes estão agora em Cristo e a transformação foi para melhor, para algo mais saboroso, mais alegre.
Tudo bem, a água é essencial para a vida humana, mas é um líquido sem sabor, sem cheiro, sem cor. O vinho tem aroma, cor e sabor. É sempre associado à alegria e a celebrações. Também assim o Senhor transforma nossa vida de algo sem graça para uma vida plena, sendo verdadeira a poesia do salmista: “Ele transforma nosso pranto em dança”.
Além dessa transformação pessoal, Jesus também renovou a aliança de Deus com seu povo, substituindo a Lei e o Cerimonial Judaico, por algo muito melhor: a Graça. O vinho simboliza esta nova ordem, esta nova aliança. A água dos conjuntos de rituais, cerimônias e tradições sem sentido foi substituída pelo vinho da adoração a Deus em espírito e em verdade. Agora o culto é vibrante e não ritual. Na nova aliança somos salvos pela graça e não pelas obras. Também não é apenas o sumo-sacerdote levita que tem acesso a Deus, Ele se abriu para o mundo inteiro e temos livre acesso ao Pai, através de Jesus. Já não é mais necessário nascer israelita para ser povo de Deus, basta somente crer e receber a Graça para ser chamando filho de Deus, Povo de Deus. É uma transformação da água para o vinho!
Um vinho antigo, bem apurado, é sempre bem-vindo numa reunião com amigos queridos. Como disse Marco Túlio Cícero: \”As pessoas são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons\”. Mas o vinho novo, aquele trazido na nossa vida pelo Senhor Jesus é bem melhor. É bem melhor viver em novidade de vida, todos os dias, sendo transformado até o dia da Sua vinda maravilhosa.

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