Há uma cultura do descartável nestes dias de pós-modernidade. Tudo é descartável: copos, pratos, talheres, guardanapos, lenços, lentes de contato, máquinas fotográficas, marmitas, etc. Usou, joga fora, descarta. Infelizmente essa cultura contaminou também os relacionamentos. Algumas pessoas não têm pudor de usar outras e depois descartá-las. Há ainda aqueles que se deixam usar, consciente ou inconscientemente.
Maus políticos usam as pessoas para chegarem onde querem e, depois, solenemente as descartam, não são mais necessárias, ao contrário só causam incômodo. Seu lugar é o lixo. Enquanto eram degraus para alcançarem o topo eram úteis, depois, não servem mais.
Alguns “amigos” só são amigos enquanto a amizade puder lhe trazer algum benefício, se não há mais nada a ganhar, descarta-se. Mais uma vez, o lixo. Amizade desinteressada, no bom sentido da palavra, é coisa rara, mas devia ser regra.
Os relacionamentos amorosos são cada vez mais fugazes e superficiais. As pessoas usam e se deixam usar, para depois, serem descartadas. Não há compromisso algum. Muita gente acha que ter um relacionamento sério é muito trabalhoso, requer renúncia, tempo, amadurecimento, é melhor apenas “ficar” e depois abandonar, de preferência sem nem saber o nome ou o telefone.
Isso me faz lembrar um trecho de uma conhecida canção: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Ao que eu acrescento: é preciso amar as pessoas com uma intensidade tal como se não houvesse amanhã, mas na perspectiva de amá-las ainda mais se houver um amanhã. O ser humano não é descartável, os relacionamentos, sejam de que natureza for, precisam de compromisso.
O político ao fazer uma campanha eleitoral assume compromissos com o seu eleitorado, os quais devem ser cumpridos. Numa amizade verdadeira há compromisso para viver os momentos de abundância e alegria, mas também para socorrer nas angústias e necessidades. No relacionamento conjugal é imprescindível um compromisso de amor e fidelidade perpétuos.
Não fomos criados para sermos descartados, nem tampouco podemos nos permitir sermos jogados fora por quem quer que seja. Mas como pessoa amada por Deus, devo buscar relacionamentos duradouros, amizades sinceras, cujo liame seja o que Bíblia chama de “vínculo da perfeição” ou “elo perfeito”, que é o amor (cf. Colossences 3.14).
Também não posso me permitir ser usado por maus políticos, que me descartam logo após o pleito, mas optar por aqueles que respeitam os compromissos assumidos com a coletividade. Que me valorizem tanto quanto, ou ainda mais, do que antes das eleições.
Se há uma grave crise de compromisso e uma onda de relacionamentos descartáveis em todos os níveis, precisamos romper com tal mentalidade estabelecendo verdadeira comunhão com Deus e com as pessoas. Mesmo que pareça fora de moda, é preciso amar as pessoas, não só hoje, mas ainda mais amanhã.
Foi com esse amor que Deus nos amou, um amor que excede todo entendimento, um amor que não nos trata como objetos descartáveis, mas como pessoas que precisam ser amadas. E mais, Deus nos amou pensando em nossa eternidade com Ele. Nos amou para que, ao decidirmos receber esse amor, expresso em Jesus Cristo, tivéssemos a esperança de passarmos toda eternidade com Ele, desfrutando de sua presença e de seu amor.

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