Márcio Rosa da Silva
Nunca vi com bons olhos o ensino religioso em escolas públicas. Conheço inúmeros líderes evangélicos e católicos que defendem ardorosamente a inclusão ou manutenção desta disciplina nos currículos escolares, em especial no ensino fundamental. Os argumentos são os mais variados: desde o desejo de formar no aluno um senso religioso e ético até o proselitismo mesmo, que pretende evangelizar crianças através desta matéria. É claro que, como cristão, desejo que o maior número de pessoas sejam evangelizadas, mas há um grande perigo na ministração de aulas de religião. Antes que o leitor amarre-me numa fogueira e ateie fogo, passo a justificar meu posicionamento.
1. Em primeiro lugar, não se pode transferir a responsabilidade espiritual sobre os filhos para a Escola, tal responsabilidade é dos pais, da família. Assim é a orientação bíblica: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.” (Provérbios 22.6). Quanto à instrução religiosa, essa obrigação é da família. Os pais devem ser o primeiro exemplo de oração, de santidade, de caráter, de submissão a Deus;
2. Em segundo lugar, como estratégia evangelística, o ensino religioso pode ser um verdadeiro “tiro no pé”. Ora, como esta disciplina tem de abordar a religião no sentido mais lato possível, deve abordar princípios de todas as religiões existentes. Assim, deve falar sobre o Cristianismo, com todas as suas variações (catolicismo, protestantismo e este com toda a sua diversidade), sobre o Islamismo, Budismo, Judaísmo, Espiritismo, Religiões Afro-brasileiras, etc., apenas para citar as mais importantes. Se você quer ficar mais escandalizado ainda, pense que se alguém disser que o satanismo é religião, pode muito bem reivindicar que este seja abordado também no “ensino religioso”. Na Inglaterra, estão exigindo que o ateísmo integre o currículo dos estudos sobre religião nas escolas públicas (revista Istoé nº 1794).
Agora imagine a cabeça de uma criança entre 10 e 14 anos diante de uma barafunda religiosa se apresentando diante dela. Antes que você condene minha posição faça a seguinte pergunta: Isso trará esclarecimento e direção ou apenas confusão? Não se deve esquecer que uma criança ou um adolescente está em situação peculiar de desenvolvimento, como diz a lei. É por isso que a família, no caso da criança ou a comunidade que o adolescente escolher é que devem ser responsáveis por forjar princípios e firmar valores, no que tange à religião.
3. Também deve ser mencionado que o Estado é e deve ser laico, devendo dar toda a liberdade para que o indivíduo escolha a religião que quer seguir. Não deve impedir a manifestação religiosa, mas também não deve permitir que sua estrutura seja utilizada para difundir esta ou aquela religião. Evidentemente que numa escola particular, onde os pais escolhem colocar os filhos, não há nenhum problema em ministrar um determinado conteúdo religioso, isto é uma opção dos pais.
Ainda há outros argumentos que poderiam ser mencionados, mas estes já são suficientes pelo menos para fazer o leitor refletir. Você que é cristão e quer que seus filhos trilhem pelas sagradas veredas de um relacionamento com Deus, não deixe tal responsabilidade para a Escola, assuma-a você, em obediência ao preceito bíblico: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.” (Deuteronômio 6.6-7).

41 comentários
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28, maio, 2009 às 4:07 pm
Charles Fernando
Discordo, mas concordo com suas intenções.
Em muitas universidades o ensino religioso é obrigatório… veja.. religião é um fato… é necessário abordá-la e compreender esse fenômeno.
Discordo que se faça prosetilismo ou transforme a ciência da religião em uma pregação, não haverá ortodoxia que suporte todos os cristãos, mas é necessário abordar sim o espírito religioso e história da religião.
Deve-se ensinar fatos, e religião é um fato social que não pode ser ignorado.
16, novembro, 2010 às 9:47 pm
José Aparecido de Oliveira - Teologo
Religião se Aprende na Escola
Lara Sayão Lobato de A. Ferraz – Mestranda em Filosofia da Educação pela Universidade Católica de Petrópolis, licenciada em Filosofia. Professora de Ensino Religioso e Filosofia das redes pública e particular na cidade de Petrópolis/RJ. larafilo@redetaho.com.br
RESUMO – Neste texto procuramos desenvolver uma reflexão acerca das concepções de ensino religioso presentes no imaginário da escola, apontando para um dever ser desta disciplina, tendo como fundamentação teórica a filosofia do encontro de Martin Buber.
Introdução
Seria a escola o espaço para um ensino religioso? A educação deve considerar o homem enquanto ser em relação com o transcendente? O que é o ensino religioso escolar? O que ele promove na sociedade? Como é percebido pelos alunos? O que esperam dele a família, a sociedade e a própria escola?
Neste artigo, procuraremos desenvolver uma reflexão acerca destas questões visando colaborar com uma discussão que se impõe como necessária e urgente.
Parece que o ensino religioso é mais uma questão do mundo dos homens, criada e nublada por eles. Mas, como não haveria de ser? Se não há como fugir da condição humana, não há espaço para pensar de modo diferente.
O fato é que há uma verdade, há uma certeza: a felicidade do homem, seu fim último é Deus. Todo educador enquanto pessoa que entende que deve trabalhar e viver a fim de promover seu semelhante à condição de felicidade, deve conduzi-lo a Deus. No entanto parece que custa-nos entender a simplicidade da proposta das religiões. Entendendo religião enquanto relação com o transcendente, esta realidade é compreendida como um convite a pensar a existência humana em sua plenitude. O verbo que se faz carne é a palavra no meio do mundo, é a divindade que eleva a humanidade e a convida a ser plena.
É preciso que todos os homens compreendam e saibam deste seu fim. É preciso que a escola aponte para esta realidade que transcende e que propõe um ser mais. Entender-se convocado para a relação com Deus compromete a vida, transforma o homem e por ele, a sociedade. No entanto, procuramos conformar esta convocação a nossos mecanismos reducionistas. Por isso é preciso que o Estado crie leis para garantir que falemos da essência da vida. Como se fosse preciso. Precisamos das leis porque amamos pouco (Comte-Sponville, 1995), porque nossas relações são envolvidas pela vontade de poder. Precisamos lutar por um ensino que considere a dimensão religiosa do homem, quando entendemos que este aspecto deveria ser considerado de modo natural. Há uma série de discussões no legislativo sobre a legitimidade de um ensino religioso escolar, questionando seus meios. Se fosse claro para nós que a felicidade humana depende de sua relação com Deus, desenvolveríamos toda a ciência de modo a sermos levados a Deus, de modo a alcançarmos a plenitude de nosso ser, de nossa humanidade que é entender-se um ser convocado à relação com Deus. Esta relação permeia toda a existência humana e permite um olhar novo sobre as questões com as quais o homem tem que se deparar. O lugar do homem é o entre, a relação. (Buber,2001).
O campo da religião, no entanto, parece ser um campo minado no qual a maioria dos pesquisadores escolhe não pisar. Um campo delicado sobre o qual é preciso se lançar . É urgente buscar uma reflexão filosófica acerca da relação entre religião e educação. A sociedade brasileira possui um intenso apelo religioso, a religião está presente no imaginário popular, nas conversas de bar, na moda, na mídia, no folclore e até mesmo em cada esquina nas inúmeras seitas que surgem a cada dia. É fato que a educação não está alheia à interferência do fenômeno religioso e do modo como este é interpretado e vivenciado. Segundo Bourdieu (1998), o aluno traz consigo um capital cultural herdado, ou seja, uma visão de mundo e uma hierarquia de valores que define sua relação com a escola e sua atitude no processo do conhecimento. A religião é parte fundamental deste capital cultural, muitas vezes norteando as escolhas dos pais em relação à educação de seus filhos. Diante deste fato, pode a escola não pensar sua relação com a religião? Podemos nós educadores fugir deste desafio?
O Ensino Religioso no imaginário da Escola
O modo como conhecemos as coisas não é neutro. Está profundamente marcado por nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações e que molda nosso olhar diante do fato. Quando o fato analisado compreende uma realidade metafísica, dificilmente definida de maneira positiva, as imagens que formam nossa visão de mundo são fatores relevantes a serem considerados, pois são o que nos permite conhecer e estabelecer conceitos. Devido a um tempo bastante extenso de inserções arbitrárias de ‘ensinos religiosos’ diferentes nas escolas, por motivações muito diversas, foi se gerando ao seu entorno um imaginário, ou seja, idéias formadas a partir do modo como a escola o foi percebendo. O imaginário é interpretativo, relacionado ao preconceito, no sentido de conceito anterior à reflexão, herdado e reproduzido sem questionamentos.
Por isso, percebemos que paira uma nuvem de confusão sobre o ensino religioso. É preciso definir seu objeto e seu objetivo. É preciso definir a perspectiva que o fundamente como necessário na escola. É necessário ir aos fundamentos que possam justificá-lo.
Uma imagem do ensino religioso irrefletidamente cristalizada no imaginário da escola, prejudica muito a discussão sobre seus fins e, principalmente sobre sua legitimidade. Neste sentido entendemos que nossa reflexão aqui colabora para elucidar o que seja o ensino religioso e seu espaço na grade curricular. Inicialmente procuraremos apontar para o que o ensino religioso não é, ou para o que, não deveria ser.
O ensino religioso não é uma aula de boas maneiras.
Em muitos momentos se espera que o ER dê educação aos alunos: que lhes ensine a sentar , a falar baixo, a não usar palavrões. Muitos pais escolhem escolas confessionais para seus filhos, esperando que esta, através do ER lhes ensine a serem bons meninos. As direções das escolas, em muitos casos cobram do professor de ER que instaure a ordem, promova a disciplina e colabore para dar jeito naquele aluno impossível. Os colegas professores, todos educadores, lançam para o professor de ER a responsabilidade de trabalhar os valores e a ética, enquanto estes temas deveriam estar permeando todas as disciplinas. Em muitos casos, é mais cômodo se abster da responsabilidade de educar e deixar para o ER, já que parece ser algo sem forma definida e que vai se orientando de acordo com a demanda dos focos de incêndio escolares.
No imaginário da escola, o professor de ER é aquele colega perfeito, que fala sempre baixo, não se irrita, está sempre sorridente e que pode atender os alunos mais difíceis e fazer uma boa oração por eles. As aulas de ER são aquelas que amansam a turma para as aulas mais sérias.
O ensino religioso não é uma aula de história.
É esta uma dimensão que coopera para a compreensão da realidade e do próprio homem e que não pode ser descartada pela ciência. Sendo apenas um ensinamento histórico sobre o desenvolvimento das diversas religiões, poderia ser um conteúdo das aulas de história, já que muitos dos temas tratados envolvem a história das religiões.
No entorno do ER, está presente esta imagem, as aulas de ER servem para uma visão panorâmica sobre o fenômeno religioso presente em todos os tempos e no mundo todo e suas diversas manifestações.
Reduzir o ER à aula de história das religiões é considerá-lo desnecessário no currículo escolar.
O ensino religioso não é um freio.
Por diversos motivos, a religião foi usada como fator moralizante e como um freio à liberdade humana. Este tem sido seu aspecto mais criticado em todos os tempos por diversos pensadores e educadores. Na educação antiga, quando faltavam os argumentos, Deus era uma boa saída para controlar os filhos rebeldes. A formação moral pela culpa diante de um Deus castigador gerou no imaginário da escola a idéia de um ER moralizador. O que constrói no imaginário dos alunos um ER chato, uma aula de ‘ficar comportado, de não poder ser sincero, de ter que dizer o que o professor quer ouvir’. Certa vez, um aluno disse que nas avaliações de ER bastava escrever palavras chaves como BONDADE, FRATERNIDADE, JUSTIÇA, AMOR E PAZ para se “dar bem”. Neste sentido, ficam proibidos brincadeiras, alegria, bom humor e qualquer espontaneidade. Felizmente, algumas práticas atuais já conseguem reverter este quadro, mas esta idéia ficou muito presente no imaginário da escola.
O ensino religioso não é qualquer coisa.
Pela falta de formação do professor de ER, muitas escolas optaram por direcionar profissionais de outras áreas para ministrar a disciplina. Isto gerou no imaginário da escola a idéia de que qualquer um pode lecionar esta disciplina, basta ser bonzinho, já que vai entrar em sala para falar qualquer coisa, contar uma história bonitinha que comova a todos e toque os corações. Estes profissionais foram escolhidos mais por sua prática religiosa pessoal do que por sua competência e conhecimento do assunto e da didática do ER. Certamente, muitos exerceram e exercem de modo brilhante sua profissão, mas no imaginário, que registra apenas o que percebe, impregnado pela visão que se tem das coisas, fica a idéia de uma aula que pode ser ministrada por qualquer profissional, ou que nem precisa ser profissional para fazê-lo. Em alguns momentos também, profissionais do ER eram convencidos de que sua prática era uma missão e não um trabalho que devesse ser remunerado. Neste sentido, fica mais uma vez o ER reduzido, sendo menos do que é.
O ensino religioso não é catequese.
A catequese subentende a prática religiosa. É uma preparação doutrinária específica que tem seu lugar nas igrejas e nos grupos religiosos. Com a necessidade de muitas horas de trabalho, a família foi delegando à escola suas obrigações mais básicas. A formação religiosa, primeiramente escolha da família e função desta, passou a ser mais uma função da escola. As diversas igrejas também têm esta função: a de garantir a seus membros um aprofundamento na doutrina e as orientações básicas para os jovens. É responsabilidade das igrejas e grupos religiosos perpetuar sua doutrina pela transmissão de seus textos sagrados e de sua moral. Os grupos religiosos devem se organizar para garantir o estudo e o fomento da compreensão da doutrina, assim como propiciar a vivência em comunidade como experiência viva da doutrina. A catequese tem seu lugar nas igrejas e nas organizações religiosas, até mesmo para que se dê continuidade à prática após o período de vida escolar.
Uma confusão, presente principalmente nas escolas particulares, foi a inclusão da catequese na grade curricular, de modo a facilitar a preparação para os sacramentos. No horário das aulas, os alunos recebiam, no pacote, sua formação doutrinária. Algumas vezes os pais nem se davam conta de que seus filhos receberiam os sacramentos. Certamente, não é esta a função do ER, pois deste modo, deixava de contribuir para uma prática sincera, fruto de uma escolha consciente da família e do aluno. O ER deve mobilizar o aluno a buscar uma prática, não ser um curso comodamente inserido no currículo, desobrigando as famílias de freqüentarem suas comunidades religiosas.
O ensino religioso não é o ministério da justiça.
Quando se fala da necessidade da implantação do ER nas escolas públicas, muitas vezes parece que este ato político resolverá todos os problemas de criminalidade do país. É certo que uma vivência religiosa pode colaborar para a promoção de uma sociedade mais justa, porém não é a garantia da diminuição da criminalidade, que está atrelada a muitos outros fatores de ordem sócio-econômica e estrutural. O homem é livre e adere ao que lhe é proposto de acordo com a sua situação existencial. O ER tem muito a dizer ao homem, mas é este que livremente acolhe às propostas de vida e conduta.
Numa política de muitas cartadas desesperadas, o ER parece ser mais uma. Acredita-se que investindo no pagamento de professores de ER, está se investindo na segurança. defendemos a idéia de que o ER contribui fortemente para uma mobilização em favor de novas condutas, mas consideramos o ER um dos fatores essenciais para uma transformação da sociedade. Não podemos encara-lo como a solução.
O ensino religioso não é campanha beneficente
No imaginário da escola o professor de ER é o ‘pidão’, até fugimos dele, porque, sempre mendicante, está promovendo alguma campanha com seus alunos para nos deixar constrangidos por nossa falta de generosidade! Deixando os exageros de lado, temos que concordar que esta imagem do professor de ER está muito presente em nossas escolas. Parece que essas aulas só servem para a realização de campanhas solidárias. Sem dúvida, este é um ponto central do ER: a promoção do espírito de solidariedade, de preocupação com o outro e com a realidade exigente na qual estamos inseridos, porém, não é uma atitude artificial e pontual: campanha de natal, campanha de páscoa, campanha de dia das crianças, visita ao asilo… se for, não atingiu o objetivo do ER. O ER deve gerar uma atitude solidária diante da vida, que desperte para ações concretas não pontuais, mas que sejam expressão de toda a reflexão e aprendizado nas aulas de ER.
O ensino religioso não é campo de guerra religiosa
Já que as pessoas estão indo pouco às igrejas, aproveitemos as aulas de ER para ganhar adeptos. Esta idéia errônea do ER é também a mais perigosa. Não se trata de fazer proselitismo. Não podemos permitir que nossas escolas se tornem um campo de batalha religiosa, onde nossos jovens serão vítimas de uma triste disputa por fiéis, como presenciamos na mídia e nas esquinas. Parece que paira sobre a discussão em torno do ER confessional um espírito bélico que é extremamente preocupante. Os interesses político-ideológicos não podem estar acima da real função do ER, sob o risco de causar mais mal que bem.
Sabemos que o imaginário, enquanto idéias que vão se formando na teia das relações humanas, suscita atitudes e gera as concepções de mundo que norteiam as condutas. Estas idéias só podem ser superadas pela reflexão, que é um dobrar-se sobre a questão. É urgente um dobrar-se sobre o ensino religioso a fim de superar o imaginário em busca de uma compreensão maior sobre ele que promova os fins da educação.
Uma primeira questão que nos parece pertinente é a reflexão sobre o que seja religião, escolhemos a concepção de religião como autêntica relação Eu-Tu, elucidada na obra de Martin Buber e que nos aponta para o aspecto relacional intersubjetivo. Procuraremos então definir o que seja autenticidade e questionar sobre a possibilidade de uma educação para a autenticidade. Apresentaremos então,o que nos parece ser um caminho para o dever ser do ER: a perspectiva dialógica de convocação para o encontro e a responsabilidade.
Conceito de autenticidade
Segundo Jaspers (1925), autêntico é o que é próprio do homem, não superficial, é o mais profundo; o que toca fundo sua existência psíquica, não apenas sua epiderme. Não é momentâneo, é acolhido pela própria pessoa e torna-se ela mesma. O que persegue a educação senão levar o educando ao que permanece? Ao que não seja superficial e momentâneo? A educação tem por fim gerar um ser educado. As grandes discussões sobre currículos e métodos giram em torno da eficácia em gerar algo que se torne a própria pessoa e não a reprodução conteudista que é esquecida em alguns poucos meses.
Para Kant (1996), a condição de autonomia exige a reflexão como essencial para a acolhida do princípio de ação, neste sentido, a educação visa a autonomia para a escolha refletida das ações e dos usos das competências e potencialidades. Um sujeito não autônomo não poderia ser considerado educado. Como falarmos em autonomia sem compreendermos que ela só é verdadeira enquanto autêntica decisão e opção do sujeito? A prática educativa então nos remete a uma educação para a adesão autêntica aos princípios de ação a partir da reflexão.
É possível educar para a autenticidade?
Entendemos que só é possível educar para a autonomia e, por conseqüência, para a autenticidade, de outro modo, o processo educativo não se completaria. Do ponto de vista do indivíduo, a educação é um aprimoramento, um aperfeiçoamento que tem em vistas os aspectos mais nobres do sujeito. Estes aspectos englobam a noção do ser mais, de Paulo Freire (1987), que subentende um reconhecimento de si diante da realidade e uma liberdade de ação. O sujeito educado deve ter as condições básicas para fazer suas escolhas, reconhecendo-se ser convocado a escolher e aderir ao que considera valor. Entendendo-se sempre como sujeito que acolhe, adere, senhor de sua história, consciente de sua situação no mundo e de sua condição existencial plena de ser humano. Como a educação é normativa, deve apontar para uma teoria do valor que favoreça a adesão aos valores não arbitrários correspondentes ao dever ser do homem.
A educação é entendida como processo que deve levar ao conhecimento do essencial de si mesmo, do mundo e do outro, que vai permitir a autodeterminação, é preciso que se encaminhe o processo educativo para o essencial, não para o acidental (Werneck ,1991:156), logo, a educação encaminha-se para a autenticidade.
O ensino religioso numa perspectiva dialógica de convocação para o encontro e a responsabilidade
Quando nos deparamos com a expressão Ensino Religioso, estamos penetrando em duas áreas extremamente fecundas e significativas da vida humana: a Educação e a Religião. Partindo da premissa que afirma ser a educação uma prática normativa instauradora de valores e a religião uma possibilidade de relação com o transcendente, é essencial e urgente um pensar sobre as implicações filosóficas de um ensino religioso.
Na religião é o infinito que se revela e o finito responde compreendendo-o e colocando-se em relação. O homem como finito tende ao infinito. Se a religião é revelação do infinito, revela a realidade do objeto, sendo portanto um valor para o homem e parte essencial da condição humana.
Parece-nos então que um ensino religioso deveria encaminhar-se necessariamente para uma formação nos valores que permitam a autêntica relação com o infinito. Relação que envolva e comprometa toda a existência humana de modo a ser capaz de tocar e transformar a realidade na qual o homem está inserido. Autêntica, enquanto livre de adornos superficiais que alienam, e geradora de uma adesão consciente à vivência coerente dos princípios cristãos. Tomamos como referencial o filósofo contemporâneo Martin Buber que aponta para esta concepção responsável de religião enquanto relação com Deus no cotidiano da vida :
Eu não possuo nada além do cotidiano, do qual nunca sou retirado. O mistério não se abre mais, ele se subtraiu e fixou domicílio aqui, onde tudo acontece como aconteceu. Eu não conheço mais nenhum além daquele de cada hora mortal, de exigência e responsabilidade. Longe de estar à altura dela, eu sei, porém que sou solicitado pela exigência e posso responder à responsabilidade, e sei quem fala e quem exige resposta. Muito mais eu não sei. Se isto é religião, então ela é simplesmente tudo, o simples todo vivido na sua possibilidade do diálogo. Quando tu rezas e com isto não te afastas desta tua vida, mas justamente te referes a esta vida rezando, quer dizer, admitindo-a, seja no inaudito como no assaltante, quando és chamado do alto, requerido, eleito, autorizado, enviado. Com este teu pedaço mortal de vida estás na mente, este instante não é retirado, ele se apóia no que foi e acena para o resto ainda muito vivo. Não és tragado em uma plenitude sem compromisso, és desejado para a solidariedade. [2]
No contexto atual da sociedade brasileira, parece-nos urgente uma real educação religiosa. É necessária uma convocação para o viver responsável e comprometido com o outro, pois somos desejados para a solidariedade. A sociedade está carente de condições básicas de convivência.
A falsa liberdade instaura um relativismo contraditório, que aceita tudo o que seja relativo e rejeita veementemente o que possa ter ares de verdade. O relativismo não considera o outro, nem sequer promove a solidariedade. Na medida em que cada homem se torna criador de seus próprios valores, é inevitável o choque com o outro que também quer ter o direito de criar os seus.
A intolerância, ora velada, ora declarada, torna-se uma questão com a qual temos que nos deparar enquanto educadores e procurar dar uma resposta que contribua para o viver reciprocamente comprometido. Não podemos falar de compromisso e responsabilidade pelo outro se não entendermos o valor do outro e os valores essenciais à vida humana.
Logo, a educação, como prática normativa, não poderá estabelecer valores arbitrários que não correspondam ao dever ser do homem, enquanto ser que tende ao infinito e que está em relação com outros seres que também tendem à completude, mas considerar valor somente aquilo que corresponda a este dever ser e que colabore para sua edificação.
O Ensino religioso como busca do essencial
As religiões de modo geral, apontam para algo essencial que possa nortear a vida. Não faz sentido pensar uma relação com Deus que desconsidere o sujeito em relação (o homem). Considerando o homem, há que se considerar o cotidiano; a vida em seus aspectos dos mais simples aos mais complexos. Infelizmente, na história das práticas religiosas, encontramos relações de poder que parecem desconsiderar o essencial: questões político-ideológicas que, longe de atrair ao essencial, distanciam, gerando um fundamentalismo que se constitui um obstáculo ao dialógico.
“Com Deus declarou-se guerra à vida, à natureza e ao desejo de viver.” (Nietzsche, 1983, p.146), esta concepção de religião impregnou nossos dias de uma contestação à prática religiosa, fundamentada não na autêntica relação com o Tu Eterno, mas em relações reducionistas e ideológicas. As críticas de Nietzsche, presentes nas rodas acadêmicas e nos mil aforismos utilizados de acordo com interesses individuais na mídia reforçam a polêmica acerca do ensino religioso.
Entendemos que suas críticas consideram apenas práticas que não correspondem ao Encontro do homem com Deus, que é uma convocação e não uma abstração. A relação com Deus não é uma negação da vida, mas uma afirmação desta em toda a sua plenitude. A pessoa humana como relação vive e é nesta situação que pode experimentar seu Encontro com o Infinito. A escola como lugar privilegiado de formação e edificação do homem, não pode desconsiderar este aspecto fundamental de sua existência.
O Ensino Religioso deve oportunizar a possibilidade deste Encontro, promovendo a reflexão sobre o que seja essencial nesta relação: a abertura ao diálogo, a consciência da alteridade e a responsabilidade do viver. Se pensarmos o Ensino Religioso nesta perspectiva, estaremos recusando a prática político-ideológica que o impregnou durante muitos anos e fez com que grandes pensadores da educação o condenassem, e abriremos caminho para a autenticidade da relação que é possibilidade de acesso ao essencial. Estaremos considerando-o como parte constituinte de uma antropologia filosófica que, no mundo da técnica, se faz cada vez mais necessária.
O Ensino Religioso, enquanto processo educativo, deve agregar valores e remeter ao eu capaz de autônoma e livremente aderir como pessoa a Pessoa Divina, dialogar com ela e estabelecer um compromisso que altere seu ser e o ser do mundo. Caso contrário, será apenas um depósito de ensinamentos sem significado ou uma estratégia para reprimir a indisciplina. Estará assumindo um papel de freio e não de mola propulsora de uma vivência plena, digna e autêntica. É somente o encontro entre pessoas, Eu-Tu – o homem e Deus, que se compromete a vida e se transforma uma realidade social exigente.
A fé cristã reconhece e exalta a dignidade do homem ao proclamar incessantemente sua origem e destino mais alto: o amor criador de Deus Pai que nos chama a ser seus filhos e em seu Filho Jesus Cristo, fundamento da fraternidade universal entre os homens. Para a Igreja, a pessoa humana é um valor central em si mesma que fundamenta o serviço gratuito e a solidariedade com todos, especialmente com os menos favorecidos. Por isso, o professor de religião, como educador cristão, há de ser mestre da humanidade. [3]
Neste sentido, entendemos o Ensino Religioso como uma oportunidade de humanização e promoção do ser humano e da sociedade fundamentada nos valores cristãos. Este entendimento nos faz vislumbrar uma metodologia dialógica que promove uma síntese entre fé e cultura, analisando os acontecimentos contemporâneos sob a ótica do cristianismo, dialogando com a realidade e promovendo um encontro com Deus no cotidiano da vida. A doutrina é a base para a análise do contexto social e existencial e para a formação para a vivência da fé.
Para alcançar este fim, é preciso estabelecer conexões com as outras disciplinas do currículo escolar, visando tornar clara a relação fundamental da religião com a vida e com todas as áreas do conhecimento, buscando superar a dicotomia fé e ciência.
É urgente superar as imagens presentes no imaginário da escola e entender o ER como o referencial que aponta para o dever ser do homem de modo pleno, e que o capacite a viver de modo autêntico a sua condição de ser religioso.
Conclusão
Sendo o homem um ser essencialmente religioso e sendo o mundo contemporâneo, o mundo do absurdo, contraditoriamente fundamentalista e indiferente, com valores manipuláveis pela mídia e com um apelo religioso confuso, o ER deve ser uma possibilidade de encontro autêntico com Deus, já que inserido no contexto educativo, deve ser uma prática refletida diante dos fins da educação, livre de interesses imediatos dos diversos grupos, uma promoção da oportunidade de adesão autônoma à convocação para uma vida de diálogo com Deus, com o mundo e com o outro. Conhecendo-se a si mesmo e entendendo-se ser convocado a estar em relação, o aluno do ER deve ter a oportunidade de perceber-se no entre, onde lhe é exigida uma resposta responsável.
A educação não pode negar-se considerar este aspecto da existência humana, por isso, religião se aprende na escola.
Referências Bibliográficas
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.
COMTE-SPONVILLE, André. Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
DURAND, Gilbert. O imaginário: ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem. Rio de Janeiro: DIFEL, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 29ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.
KANT, Immanuel. Pratical Philosophy. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004
WERNECK,Vera Rudge. O Eu Educado: uma teoria da educação fundamentada na fenomenologia. Rio de Janeiro: Rio Fundo Ed. 1991.
________________________________________
[2] BUBER, M. Encontro – fragmentos autobiográficos. Petrópolis: Vozes, 1963, p.43.
[3] Informe a Unesco da Comissão Internacional sobre a educação para o séculoXXI, Madri 1996, p.22.
3, outubro, 2011 às 6:52 pm
eudaleia de souza re (@EudaleiaR)
Eu tambem concordo com a sua opinião
3, julho, 2009 às 9:09 am
Eduardo Nóbrega
Pastor Márcio,
Realmente, a obrigação de ensinar a Palavra de Deus é dos pais mas, já que eles nem sempre fazem isto, eu sou a favor do ensino religioso nas escolas, porque é melhor que os educandos aprendam sobre todas as religiões e entre elas a Palavra de Deus, do que não aprendam nada sobre o assunto.
Baseio-me em dois textos bíblicos: A fé vem pelo Ouvir a Palavra de Deus; e a Palavra não volta vazia.
A palavra de Deus não é uma verdade, ela é a Verdade e quando é ouvida, se torna uma espada que faz o que apraz a Deus, atrai uns e afasta outros.
Fui professor evangélico aí em Roraima, para alunos de segundo grau Na antiga Escola Técnica e no Magistério e sei os efeitos das aulas sobre os alunos voluntários. Não podemos esquecer que as nossas aulas evangélicas são potencializadas pela verdade, pelo amor, pela oração e pelo Espírito Santo.
3, julho, 2009 às 11:00 am
Márcio Rosa
Prezado Eduardo,
A palavra de Deus pode ser pregada numa escola confessional, particular que seja evangélica ou católica ou de qualquer outra religião. Mas numa escola pública isso fere o princípio da laicidade do Estado. Assim como os evangélicos pregam, outras religiões poderão pregar também e daí a confusão está feita na cabeça dos alunos.
Acolho e respeito sua opinião, mas continuo mantendo o entendimento do artigo publicado.
Abração!
25, julho, 2009 às 2:41 pm
anderson ferreira costa
o ensino religioso hoje em dia é visto através das ciencias da religião, área de conhecimento que se iniciou na frança, onde o estado leciona ensino religiosa através de uma visão científica, ou seja, cidadã. o objetivo é fazer com que o futuro cidadão tenha acapacidade de respeitar diferentes religiões de sua crença e assim amenizar a paz na sociedade no que tange o respeito à diversidade religiosa, ao contrário de muitas países que propagam a intolerância e a guerra através de religiões. além disso o ensino religioso novo é uma oportuidade de perceber um universo que está ao nosso redor mas que muitas vezes o fundamentalismo religioso (que é prejudicial ao cidadão e á sociedade) nao permite e assim o conceito de dignidade humana dos direitos humanos seja violados. o ensino religioso hoje em dia por isso nao deveria possuir mais essa nomemclatura e sim ciencias da religião. a abordagem histórica das religiões é científica, e assim as religiões podem ser vistas de um patamar imparcial, ou seja, de forma critica para que o aluno perceba a realidade da diversidade religiosa em que está imerso. por isso a formação dos professores de ensino religioso é ciencias da religião e nao outra qualquer, como há muito tempo está acontecendo.
25, julho, 2009 às 3:03 pm
Márcio Rosa
Oi Anderson,
Sim, um estudo da ciência das religiões sim é científico e muito positivo. Mas eu ainda tenho dúvidas sobre o preparo dos professores de ensino religioso e se eles não acabariam sendo proselitistas.
Obrigado pelo comentário!
Abraços,
25, julho, 2009 às 3:33 pm
anderson ferreira costa
infelizmente isso é um problema, mas pense, no ensino das ciencias os professores tbm são tendenciosos ao expor seus ponto de vista sobre certas questões. a questão da tendencia é algo que está em todas as disciplinas, até mesmo um professor de matemática pode dizer que as religiões afro-brasileiras são demoníacas, então nao muito nos questionarmos sobre isso. eu acredito que resolveira muito essa questão uma espécie de fiscalização, que ainda nao sei como seria feita, acerca dos conteúdos que estavam sendo ensinados em sala de aula
bem, isso é uma possibilidade, e noa somente em ensino religioso, mas em outras disciplinas, pois, a quebra da laicidade está em outras disciplinas tbm.
22, setembro, 2009 às 3:57 pm
Matheus Espedito Fructuoso
Tenho 14 anos e creio que o lecionamento de religiões é importante para a sociedade, já que a mesma precisa de um certo impulso. O ensino religioso não existe apenas para algumas doutrinas religiosas e sim para abranger com clareza a todas, é um modo de ligar povos antigos, esquecidos, porem que tiveram uma grande influencia em nossas culturas atuais e até mesmo em nossa língua, como os gregos por exemplo, sem a mente deles não existiria metade dos ensinos escolares, e isso só foi possível porque tinham em que acreditar, mesmo que não fosse verdade, sem a crença deles não existiriam tão belas esculturas. O mundo precisa de um ser supremo. A religião é o nosso contato com outros povos e seria totalmente injusto lembra-se deles pelo que fizeram, sem ao menos sabermos quem foram eles. Portanto a importancia da religião está no nosso cotidiano e nada pode mudar isso, a sociedade já está apta a conviver com as religiões, uma vez que pessoasbatem em nossas portas tentando nos persuadir a mudar de religião.
10, março, 2012 às 7:53 pm
Elza Ana Pereira Neves
fiquei impressionada com o seu comentário sobre o ensino religioso nas escolas publicas. eu acredito que o ensino religioso nos dias atuais deve ficar na responsabilidade dos lideres religiosos por causa da pluralidade de crenças seria um transtorno para os professores dar um a aula visando a linha de pesamento de religião. bjs Elza
21, fevereiro, 2010 às 8:52 pm
Maria do Socorro Rodrigues
Márcio Rosa,
Estava à procura de alguém que pensasse o ensino religioso nas escolas públicas como eu penso. E olha que,ulltimamente, tenho feito debates sobre tema com colegas de trabalho. Na cidade em que moro, Betim/Mg, a Secretaria de Educação unificou a grade curricular das escolas, ampliando para duas as aulas de ensino religioso. Ou seja, enquanto estamos discutindo, com seriedade, o papel da escola que é “construir” cidadãos leitores, produtores de textos, conscientes de seus direitos, da sua cultura, que possam resolver problemas lógico-científico-sociais, uma secretaria espera, talvez, que as aulas de ensino religioso resolvam esses assuntos, não é?Que responsabilidade desses nossos colegas professores, que nem foram consultados! Nada contra a aula, mas estamos falando de escola pública, onde não se tem controle de nada. Como você disse quantas religiões sãos trabalhadas? Se o aluno lê e entende bem, não vai saber escolher seus líderes, seus companheiros, sua religião…? Um abraço!
30, março, 2012 às 5:55 pm
Jusc
Tenho a mesma opinião da Maria do Socorro Rodrigues. Também sou professora de Betim MG, e olha, da disciplina “Ensino Religioso”. Neste período intenso da formação da personalidade (11 a 14 anos) assuntos básicos como auto-conhecimento, saúde física, mental e espiritual integradamente, sexualidade, cidadania, etc. , numa progressão séria conforme a faixa etária deveriam entrar no currículo por iniciativas das pessoas eleitas para ajudar na construção eficaz da vida do futuro desse país, na solidez da educação. O Ensino Religioso propriamente dito as famílias e sobretudo as Igrejas já se encarregam disso. A Escola Pública não deveria abraçar este trabalho. Pessoas de todas as áreas relacionadas à qualidade de vida deveriam ser convidadas a ajudar na elaboração desse programa e os profissionais receberem cursos de graduação na área.
28, março, 2010 às 8:29 am
Carlos Odilon da Costa
Prezado Aprendiz.
Sou professor de Ensino Religioso em SC. Fiz a graduação em Ensino Religioso, e também Geografia, também fiz uma pós em Ensino Religioso e também geografia, fiz também Mestrado em Educação. Passei vários anos estudando a questão do Ensino Religioso. O que Descobri?.
Primeiro o Ensino Religioso não pode ser trabalhado enquanto disciplina, pois fere o principio constitucional de vivermos em um estado laico. segundo, o direito da criança e do adolescente de receber informações é negado. No momento da matricula a escola deveria ensinar e informar que o ensino religioso é facultativo artigo 210 da constituição brasileira, e isso não está sendo respeitado. Terceiro, enquanto tema transversal em outras disciplinas seria o ideal, pois se não é a questão da espiritualidade que deve ser trabalhada nas aulas de ensino religioso, e se assumirmos somente os conhecimentos religiosos que foram produzidos pela humanidade, então convenhamos, temos outras disciplinas com muito mais propriedade do que a pseudo ciência da religião, que n ão se aproxima em nada das teologias mais profundas….
abraços
21, abril, 2010 às 9:25 pm
Cicero Clarindo de Souza
Pensei por alguns momentos em “responder ou não responder”. E, como não concordo com o “quem cala consente” vim dar minha pequena contribuição ao assunto.
Sou professor de Ensino Religioso na rede municipal de Betim, MG. Antes de prosseguir deixo claro que concordo, em número, gênero e grau com o que o Anderson disse, acima, em 25.07.2009.
Penso que o professor de Ensino Religioso tem que ter clareza de sua disciplina, conhecer a legislação federal e estadual e conhecer os conteúdos inerentes ao seu quefazer. Saber que o Ensino Religioso na escola, sobretudo pública, adota a linguagem científica, fundada na antropologia, na fenomenologia, na ciência da religião, além da filosofia e da sociologia. A abordagem da escola não é confessional, pois esta é tarefa das famílias e das religiões.
Tenho visto não professores de Ensino Religioso, mas de outras áreas fazendo proselitismo. Aliás, professores, pedagogos e diretores. Aqui, próximo, em Belo Horizonte, a rede municipal não tem Ensino Religioso, mas na prática cotidiana a religião campea, posto que está no que chamamos currículo oculto.
O que acho nefasto, seja na escola ou em outros espaços da sociedade, é algumas pessoas quererem que as crianças, adolescentes e jovens sejam “bonzinhos porque isso agrada à divindade”! Ora, por que jogar para a divindade a moralidade básica quando ela é responsabilidade de todos nós.
Abraços,
1, maio, 2010 às 5:38 pm
Carlos Odilon
Sugiro no lugar de Ensino Religioso um outra disciplina escolar voltada para a constituição do social, ambiental, pensamento, da cultura e espiritualidade humana.
3, maio, 2010 às 9:32 am
Carlos Odilon da Costa
No lugar do Ensino Religioso proponho uma outra disciplina, voltada sobretudo ao um olhar mais antropológico e ecológico.
11, maio, 2010 às 12:38 pm
Rosania sena
Sou professora de Ensino Religioso em escolas publicas e o objetivo da disciplina não é diefente do seu pensamento.Concordo com a mudança do nome da disciplina e não de abolir e colocar uma outra ,porque os tempos mudaram e a diciplina não deve mais ser proselitista a bem tempo. Acredito que voce esta um tanto equivocado ou se perdeu no tempo.
15, maio, 2010 às 2:28 pm
Carlos Odilon da Costa
Sou Mestre em Educação, tenho formação em Teologia, Ciências da Religião e Geografia, especialização em Ensino Religioso, Geograifa e Gestão Escolar, não entendi quando você me ofende ao dizer que estou fora do tempo? Você me conhece por acaso, sabe o que já produzi no Ensino Religioso? Qual sua concepção epistemológica acerca do Ensino Religioso? Quais os autores referente a configuração do Ensino Religiso no debate mundial que você pode me citar de referências?
sejamos mais humildes, abraços
16, maio, 2010 às 11:00 am
Cicero Clarindo de Souza
Viva! Apelamos para o “argumento ad baculum!” Pena que o argumento não se sustente!
15, maio, 2010 às 2:24 pm
Carlos Odilon da Costa
Prezados,
conforme o artigo 210 da constituição o Ensino Religioso é facultativo, ou seja, não é possível legalmente manter o Ensino Religioso em Escolas públicas.
abraços
16, maio, 2010 às 11:11 am
Cicero Clarindo de Souza
Mas uma vez é feita uma afirmação que não se sustenta. Infelizmente! Ou seria felizmente? O Autor cita o artigo 210 da Constituição (Federal de 1988) para dizer que o Ensino Religioso não é possível nas escolas públicas, pois é facultativo. Não é isso que o artigo 210 diz. Vou citá-lo na integra e deixo a conclusão para os leitores:
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. (Fonte: http://www.senado.gov.br/sf/legislacao/const/)
16, maio, 2010 às 1:21 pm
Carlos Odilon
Você mesmo cita que o Ensino Religioso é facultativo. Sendo o Brasil um país Laico em sua Constituição é impossível manter de forma obrigatória o ensino religioso, vamos acabar com essa demagogia, vamos implantar outra disciplina no lugar , que somente serve para confundir as cabeças de nossas crianças, atrapalha a dinâmica escolar, causa muitos problemas para os professores, sobretudo na ordem de saúde, pois uma aula por turma, az com que o professor no final de sua jornada semanal, esteja completamente cansado de tento entrar e sair de salas de aula e ficar planejando aulas e mais aulas, sem contar com a questão burocrática de preencher diários, planilhas, planos, etc. Como frisei sou professor de Ensino Religioso, com especialização e mestrado, pesquisei muitos anos está disciplina sem sombra de dúvidas, não se sustenta parente a questão epistomógica ou pedagógica/didática.
16, maio, 2010 às 1:28 pm
Carlos Odilon
Qual a concepção epistemológica que os professores de Esnino Religioso possuem? Qual o objeto de studo proposto pelo Parametros Curriculares Nacional de Ensino Relgiso? Qual o objeto de estudo proposto pelo primeiro caderno temático ensino Religioso produzido pelo FONAPER? “Os” “objetos” de estudo do Ensino Religioso não seriam já estudados em outras Ciências? Tud isto já foi levantado por vários pesquisadores, e creiam, O Ensino Religioso é uma “pseudo disciplina”, podemos enquadrá-lo como tema transversal. Abraços
16, maio, 2010 às 1:31 pm
Carlos Odilon
http://ciberteologia.paulinas.org.br/ciberteologia/wp-content/uploads/2009/12/05-Epistemologia.pdf
um pequeno trabalho analisado o Ensino Religioso
abraços
26, julho, 2010 às 4:10 pm
anderson ferreira
o ensino religioso é uma disciplina com metodologia própria sim, há parâmetros curriculares nacionais, e o próprio conselho nacional de educação^dar o parecer de área de conhecimento ao ensino religioso. esta disciplina analisa as formas de como a religião se apresenta, e nao apenas as religiões em si. ela estuda o fenomeno religioso, e outras disciplinas analisam isso de forma parcial, as ciencias da religião estudam de forma específica com a contribuição que cada ciencia propõe. o ensino religioso é importante para o preparo de um cidadão com conhecimento sobre uma realidade que existe muito preconceito e discriminação. uma pessoa que cresce sem saber o que é candomblé, tenderá a sempre manter um posicionamento preconceituoso com relação à esta tradição. por isso é importante que o aluno conheça a realidade religiosa do Brasil, para que ele nao possua um comportamento anti social. afinal, o fenomeno religioso também é importante para a cidadania, pois, ninquém pode ter medo de professar sua fé conta do preconceito de uns. e afirmando novamente, ensino religioso nao é formação religiosa, é formação cidadã. o objeto de estudo é o fenomeno religioso e nao a religião.
26, julho, 2010 às 4:17 pm
anderson ferreira
o caro amigo ainda pensa que o ensino religioso seja formação religiosa, a formação é cidadã, e o objeto de esudo o fenomeno religioso. os alunos recebem informações racionalizadas para a sua linguagem acerca do fenomeno religioso e isso os capacita a analisar qual realidade é mais propícia para si, mas o objetivo principal mesmo é minimizar preconceitos, principalmente com religiões “marginais”.
28, julho, 2010 às 10:56 pm
yamara chaves
Sei que todos querem o melhor pra nossas crianças. Não sou professora mas sou nordestina cearense, morei em Boa Vista e já conheci por leitura a formação educacional dos que moram no sul. E sei como funciona a escola pública de vocês. Elas funcionam.
Aqui no Ceará as escolas são obrigadas a terem uma imagem de Maria em todas as escolas, as crianças e os adolescentes (não digo todos claro) vão a escola para terem pelo menos uma refeição. A bíblia foi tirada das bibliotecas isso é o que vem fazendo nossa prefeita Luizianne. Seria maravilhoso se pudéssemos dar algo melhor do que o sofrimento. Nossos professores, não digo todos não são preparados para ensinar ciência da religião, se duvidar não sabem nem o que vem a ser epistemologia. Teologia aqui em Fortaleza as faculdades são mínimas e não são reconhecidas pelo o MEC.
Não deixa de ser um lindo sonho, mas concordo com o Marcio Rosa quando ele fala sobre a importância da família na educação religiosa dos filhos. A família tem sofrido perdas em nossa atualidade, temos lançado de nós responsabilidades. É uma pena. O espiritual é de responsabilidade de cada um. Creio que não ensinaríamos espiritualidade nas escolas.
30, outubro, 2010 às 4:47 pm
Joice Ribeiro Paz
Após a leitura, comecei a pensar no assunto, sou a favor do teu posicionamento, porque está correto, mas também , podemos observar que o ensino religioso geralmente é ministrado por professores leigos no assunto, sem formação acadêmica religiosa, por filósofos, ou professores com outra formação. Muitas vezes, as aulas de religião servem apenas para”cumprir o horário do currículo” onde é trabalhado qualquer assunto, menos o que diz respeito à religião. Por outro lado, muitos alunos “nunca” ouvirão falar de religião em casa. Tem pais que não tem esta preocupação com seus filhos, preferem que eles se resolvam espiritualmente,que decidam por si.
13, novembro, 2010 às 1:58 pm
anderson ferreira
é importante dizer também que o estado laico nao é um estado ateu, ou seja, o significado de laico nao é o francês, ou laicista, o estado laico permite que as religiões se manifestem na sociedade, exatamente por isso os cidadãos devem ter o entendimento de como isso acontece como cultura, nao se pode esperar que um cidadão desinformado entenda o que é uma galinha preta em uma encruzilhada, ou um pentagrama riscado em um cartaz, tudo isso faz parte de produções culturais que remetem ao sagrado. a atual epistemologia das ciencias da religião atualmente está partindo do posicionamento de autores como por exemplo João Décio Passos, Hans Kunk e Tsung Miun O, todos eles trabalhando nas ciencias da religião, a teologia nunca foi uma ciência, ela é o estudo de deus e nao do fenomeno religioso, ela até pode estudar o fenomeno religioso, mas como resposta à existencia de deus e sua complexidade, e nao como análise da cultura humana. se os professores fossem formados nessa perspectiva, que é das ciencias da religião, o ensino religioso já teria mudado de nome e seria um disciplina obrigatória para o aluno, afinal nao deveria ser uma opção aprender a respeitar o diferente, nao deveria ser uma opção respeitar a dimensão religiosa do ser humano, pois, ela é significativa na sociedade, tanto quanto o estudo da tecnologia ou da matemática, da história e geografia. repito, nao somos um país ateu, somos laico e por isso diverso, essa diversidade deve ser trabalhada especificamente no caso da religião, pois é nela que existe os maiores conflitos e peculiaridades. você já pensou na existencia do carro sem o aprendizado da direção? o transito seria um caos, assim é com o ensio religioso, por que o Brasil é o mais violento, mas ao mesmo tempo o mais religioso? por que existe tanta discriminação em um país onde há tanta diversidade?
o ensino religioso é importante, e seu nome deveria ser mudado para ciencias da religião. recentemente a rússia implantou uma nova disciplina na grade curricular comum, chamada ensino religioso secular, onde os professores irão receber uma graduação específica, que ao que me parece será em ciencias da religião.
14, dezembro, 2010 às 1:41 pm
Carlos Odilon da Costa
Repito o que já escrevi anteriormente, é impossível deixar na grade curricular o Ensino Religioso devido a nossa Constituição ser laica, ou seja, no espaço público não pode haver propaganda da quetão religiosa, principalmente nas Escolas Públicas, o dinheiro arrecadado pelo povo brasileiro não pode ser repassado em questões que envolvam o conhecimento religioso. Por isso vamos colocar outra disciplina no lugar do Ensino Religioso, pode ser a filosofia ou Sociologia
14, dezembro, 2010 às 1:42 pm
Carlos Odilon da Costa
Quanto a Rússia implementou o Ensino Religioso Cristão
14, dezembro, 2010 às 1:50 pm
Carlos Odilon da Costa
Em alguns países da europa a Teologia recebe o nome de Ciência da Religião, para esclarecimento, quando me refiro em Ciências da Religião estou afirmando que existem várias ciências que estudam a religião, ou seja, Teologia, Psicologia, Antropologia, Filosofia, História, Geografia, Sociologia…Não precisamos de outra disciplina para estudar as religiões no ambito escolar, já possuimos muitas, vamos deixar de fragmentar o conhecimento…
7, fevereiro, 2011 às 4:34 pm
Caduwish
Boa noite, primeiramente gostaria de comentar sobre o que muitos disseram a respeito dos ensinamentos religiosos nas escolas públicas: Não sei, a que nível de ensino as escolas que vocês disseram tem, mas tenho certeza que este assunto, vai além do quesito católico ou protestante e etc. Não bastasse o fato da gente nascer em um país onde os oportunistas do lado A ou lado B da banda política brasileira impoe sobre a nação, agora, querem que as crianças sejam seguidoras de x ou y religião. É lamentável dizer que isto realmente acontece, sobretudo, religião a meu ver, é a arte de poder ensinar para um jovem sobre o respeito e o amor. RESPEITO – sobre todas as coisas, todos os seres existentes e AMAR – o próximo, sem temer com uma ação hostil. Acho ainda que a maioria dos professores estão no caminho contrário do ensino religioso… a verdade não está na religião e sim dentro de cada um de nós.
4, julho, 2011 às 12:04 pm
Pezão da Silva
Claro… tudo que for mais conveniente pra religião e seus seguidores. = )
31, janeiro, 2012 às 10:06 am
Giuliana Azevedo
Prezado sr. Márcio Rosa,
A equipe do Jornal Nosso Tempo está preparando uma matéria sobre ensino religioso nas escolas – prós e contras. Portanto, gostaríamos da sua contribuição, se possível, para esta pauta através da permissão para que possamos citar os argumentos apresentamos no post “Porque sou contra o ensino religioso nas escolas públicas”, com a devida indicação de crédito, é claro.
Aguardo retorno.
Atte.,
Giuliana Azevedo
jnossotempo@gmail.com
http://www.jornalnossotempo.com.br
31, janeiro, 2012 às 10:38 am
Márcio Rosa
Sim, Giuliana, pode usar o texto sim. Sem problema.
Abraços,
Márcio
3, fevereiro, 2012 às 5:36 pm
Carlos Costa
A “Verdade” é o Próprio Senhor Jesus Cristo. Ele deseja mesclar no espírito humano (consciência, intuição e comunhão) alcançado a alma (psique – mente, vontade e emoção, que é a salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, ( 1 Pedro 9-10 ).Qualquer pessoa que se “arrepender” ( não só de pecados, mas de conceitos, tradições, opiniões, ego, etc.) e se com tua boca confessares Jesus como Senhor e, em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. (Rm. 10: 9-10 ( crer no sentido de receber, não de acreditar), até mesmo o mais religioso dos homens ( Saulo de tarso: ” pois, na verdade, eu era conhecido deles desde principio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.” At: 26.5) Por isso que a Religião não promove a vontade de Deus na fé. Saulo de Tarso ( Saulo – Grande ) de perseguidor da Igreja se tornou Paulo ( Paulo – Pequeno) o que mais invocava o nome dos Senhor Jesus, isso mostra que Deus na sua soberania quer alcançar a todos, Aleluia!. Por isso que não só nas escolas como em qualquer outro lugar “Religião” não poderá satisfazer o homem, e quanto mais as criancinhas, pois o próprio Senhor Jesus disse: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o Reino de Deus, MC. 10:14. Por isso que devemos nos tornarmos como as crianças, esvaziando constantemente nosso espírito humano, para que o Espírito Santo de Deus possa encontrar caminho em nós, para que possamos pregar o evangelho a Graça, e o Evangelho do Reino com intrepidez. Que O Senhor Jesus Abençoe a todos.
18, fevereiro, 2012 às 6:34 pm
claudio Calev
Sou contra o ensino religioso nas escolas públicas pois fere o princípio laico da educação. O que há é um grande lobby das igrejas – através do legislativo – para facilitar, às custas do dinheiro público, como sempre, a disseminação de seus credos. Mais uma vez a escola pública é aviltada. Vamos parar com essa bobagem de ter o ER nas Escolas, c om esse dinheiro muito seria aplicado em uma educação com qualidade e mais tempo para refletir a condição humana, quem sabe uma aula de filosofia no Ensino Fundamental
20, fevereiro, 2012 às 1:04 pm
Claudio Calev
Por que estudar religião?
“Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa”, escreve Luiz Felipe Pondé, professor de Filosofia, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 20-02-2012.
Segundo Pondé, “acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”
Eis o artigo.
Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for “sim”, a causa é uma das hipóteses abaixo. Somos previsíveis como ratos de laboratórios.
Estudar religião cientificamente seria estudá-la sem fins religiosos, ou seja, “de modo objetivo”: via neurologia, sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia.
Trocando em miúdos, estudar religião cientificamente é estudá-la sem fins “lucrativos” para a própria fé do estudioso. Neste sentido, o melhor seria um ateu estudar Deus ou um cristão estudar budismo, porque assim não “lucrariam” com seus objetos de estudo.
Duvido profundamente deste pressuposto. Não porque seja impossível em si nem porque neutralidade em ciência seja algo absurdo. Trabalhar com ciência não é fruto de amor ao conhecimento, mas sim um modo de ganhar a vida muitas vezes menos competitivo do que o mercado de profissionais autônomos ou das grandes corporações.
Julgo esse problema da neutralidade do conhecimento científico tão improdutivo quanto se perguntar como faziam os últimos medievais, se Deus poderia criar uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar – já que Ele seria onipotente e, portanto, poderia criar qualquer coisa. Mas, sendo Ele onipotente, como poderia existir uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar?
Como você vê, trata-se de uma pergunta “podre” no sentido de ser simples perda de tempo. Um beco sem saída.
Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa.
Por exemplo, quando mulheres estudam “opressão feminina”, não estariam elas sob suspeita, uma vez que são mulheres e, portanto, suspeitas em “lucrar” com os ganhos do próprio estudo? Ou, quando gays estudam “opressão contra os gays”, não estariam eles também sob suspeita, na medida em que eles, gays, também “lucrariam” com o estudo de seu próprio caso?
Ou mesmo ateus estudando Deus não estariam sob suspeita de quererem desconstruir a fé a fim de desvalorizá-la?
Por isso acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”.
Proponho as seguintes hipóteses.
1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações “espirituais”, mas se acham “cultas e bem (in)formadas” e estão um tanto de saco cheio das “igrejas” (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas “oficialmente” e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião.
2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de “revolta contra Deus”. Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.
3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.
4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.
5. Para tornar sua vivência religiosa mais “culta e bem informada” e “modernizar” sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética.
6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.
7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião.
8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.
9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.
10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.
Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506732-porqueestudarreligiao
5, abril, 2012 às 11:22 pm
Maria Neides
Concordo com o companheiro Cicero e em muitas coisas com colega Anderson, só gostaria de pontuar que a maioria das redes públicas de ensino querem economizar para os cofres públicos com profissionais da educação e descumpre a Constituição com a falta do professor de Ensino Religioso.
Para esclarecimento sobre a formação do professor da área, sou habilitada pela PUC_MINAS, os professores de lá são excelentes e nos prepararam muito bem. alem disso estamos sempre estudando para aprimorar no trabalho e atender a demanda.
7, abril, 2012 às 6:55 pm
Graziele
Boa Noite!
Sou sim , com muito orgulho professora da Disciplina de Ensino Religioso Escolar, já há 17 anos na rede pública e vejo como impertinente sua postura diante da diminuição na grade curricular desta aprendizagem que gera contribuição para a formação total ao ser humano, permitindo ao educando: pensar,sentir e agir, percebo um ensino muito voltado ao livro que já vem pronto e determinado ao aluno da rede pública acrescentando
muita repetição, ou seja criando um ser humano mecânico , copista. Não venho com palavras dificéis impressionar quem quer que seja. Mas é correto não se praticar justiça e sim elaborar leis ? Já pratiquei várias religiões, e em todas elas, posso lhe assegurar, vi seus adeptos buscar um mesmo caminho, o do bem comum. É o amor, que deve prevalecer , principalmente o amor próprio, não mascarar em religião x ou y. Sim a disciplina de Ensino Religioso incomoda muito aos críticos, porque ela permite questionar: Quem sou eu? Quem somos nós? E descobrirmos que o universo está em nossas mãos, construindo junto ao aluno autonomia e isto sim pode ferir profundamente aos dominadores. Se querem uma sociedade sem iniciativa própria, sem perspectivas, sem projetos de vida, ai sim retirem o do currículo escolar.
No que sei precisamos sim de projetos pedagógicos dinâmicos, de valorização deste profissional que é o professor, de investimentos consideráveis e se possível criar mais disciplinas que ajude o aluno a pensar e pensar mais, não esta alienação aqui declarada com o corte de uma disciplina que precisa sim de melhoria para seus trabalhadores, porque não muda seu discurso para que ténhamos várias oportunidades de crescimento ao trabalhadores desta área, receberem uma formação mais elevada que não faça “lavagem cerebral” e que não possa ter ainda nos dias atuais, pessoas doutrinando nas escolas do Brasil, se isto acontece é por falta de curso correto, os quais não devem ter sido aprovados pelo MEC.
Ajude ao grupo de Ensino Religioso a ficar melhor cada dia mais, ao invés de criticar e menosprezar . Lembre- se em todos grupos existem os bons e o ruins, então trabalho religiosidade e não religião nas escolas que tenho o prazer de servir , de prestar minha humilde parcela de conhecimento.
Amor gera amor e violência gera violência.
Pense em somar e multiplicar o saber.
E não diminuir e dividir.